'Ele não tinha o menor preparo', diz padrasto de PM morto na Zona Oeste

Sargento estava no serviço burocrático há 10 anos. Policial foi enterrado nesta quarta-feira, no Cemitério Jardim da Saudade

Por O Dia

Sargento da PM morreu após ser baleado durante operação na Favela do RolaReprodução Internet

Rio - A revolta era grande entre familiares e amigos do terceiro sargento Alexandre Moreira de Araújo, 44 anos, morto na última terça-feira durante confronto com traficantes na favela do Rola, em Santa Cruz, na Zona Oeste. Ele foi enterrado, nesta quarta-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Jorge Caputo, 68 anos, padrasto do PM, disse que o enteado não tinha condições de participar de operação policial e culpou a corporação pela morte. 

"Alexandre estava no serviço burocrático há dez anos, não tinha o menor preparo para enfrentar uma operação. Também faltou apoio aéreo aos policiais. O estado não dá qualquer tipo de condição para eles (policiais) trabalharem", acusou Caputo. 

Entre os colegas a dor e a indignação eram grandes pela perda do colega. Um oficial da PM, que pediu para não ter o nome e nem o batalhão revelados, disse que Alexandre tinha de ter se rebelado contra o comando do 27º BPM (Santa Cruz), onde estava lotado.  

"Já fui praça e me recusei a sair em operação com apenas cinco munições na arma. À época até quiseram me prender. Os policiais não podem mais aceitar trabalhar sem condições. Alexandre não poderia ter ido para aquela operação", afirmou o militar que tem 30 anos de farda. 

O desejo de militares que conviveram com o terceiro sargento é que a família responsabilize o governo. "A família deveria processar o estado pela morte de Alexandre. Todos sabiam que ele não estava preparado, apesar de ter 14 anos de corporação. Nosso colega e amigo trabalhava internamente, estava fora das ruas há muito tempo", afirmou outro PM.

O PM era casado e deixou um filho de 2 anos. Familiares o classificaram como brincalhão e alguém que "não faria mal a uma formiga." Alexandre tinha acabado de deixar o 41º BPM (Irajá) e havia se apresentado no 27º BPM (Santa Cruz). Aquela foi a primeira e última operação da qual o PM participou. 

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da PM rebateu as acusações da família do sargento Alexandre, que não teria preparo para atuar nas ruas, uma vez que estava no serviço burocrático havia dez anos. "A informação não procede, já que o policial trabalhou no 9º, 41º, 6º batalhões." 

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