Até junho, PRF aplicou 280 mil multas por excesso de velocidade no estado

Durante todo o ano de 2015 o número de multados nesse tipo de infração chegou a 855.662

Por O Dia

Rio - Motoristas continuam abusando da velocidade nas estradas do Rio. Levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostra que, só no primeiro semestre deste ano, 282.601 condutores foram flagrados por radares da instituição com velocidade entre 20% e 50% além da permitida, somente nas dez principais rodovias federais. O número é equivalente a 1.570 por dia, ou 65,4 por hora. Durante todo o ano de 2015 o número de multados nesse tipo de infração chegou a 855.662.

Preocupada com a segurança de quem trafega pelos 1.470 quilômetros dos trechos fluminenses dessas estradas, a PRF planeja ações e campanhas educativas, que deverão ser colocadas em prática após a Olimpíada. O alerta terá como base os riscos de morte da alta velocidade. O trânsito brasileiro está entre os mais violentos do mundo e é responsável por uma morte por acidente a cada 22 minutos, em média.

Agente multa com equipamento portátil%3A velocidade surpreendenteDivulgação

Os excessos são tantos que surpreendem até os próprios agentes da PRF. No último dia 1º, por exemplo, em apenas duas horas, numa fiscalização com radar portátil na Rodovia Rio-Petrópolis (BR-040), na altura de Petrópolis, na Região Serrana, 206 motoristas foram flagrados desrespeitando o limite de velocidade. Um deles, ao volante de um Volvo XC60, com placa de Juiz de Fora (MG), chegou aos incríveis 188 quilômetros por hora. Mais de duas vezes a velocidade estabelecida para o local, que é de 90 Km por hora para veículos pesados.

No mesmo lugar, um carro de passeio de Petrópolis registrou a marca de 170 Km por hora, sendo que o limite para automóveis é de 110 Km por hora no trecho. Motoristas que excedem a velocidade estabelecida em qualquer rodovia em mais de 50% da máxima são multados em R$ 574,62, além de terem suspensa a Carteira de Habilitação.


Impacto de batida chega a 2,5 toneladas

Especialista em segurança e educação no trânsito, Roberta Torres defende campanhas mais constantes por parte do governo federal. “Quem anda chutado nas estradas tem que entender que está colocando a vida dele e a de terceiros em risco. Numa colisão a 188 km\h, por exemplo, o impacto seria equivalente a 2,5 toneladas. Ou seja, não sobraria sequer um parafuso no lugar”, afirma.

Para Roberta, é essencial também que as auto-escolas tenham instrutores mais preparados e invistam em simuladores de trânsito. “Além disso, são necessárias mudanças na engenharia de trânsito, que modifiquem traçados onde estatísticas indicam que há mais acidentes registrados”, diz.

Critérios são mais rígidos

Com uma frota atual, segundo o Denatran, de 90,6 milhões de veículos, o Brasil é o país com o maior número de mortes de trânsito por habitante na América do Sul. No entanto, entre os dez países mais populosos do mundo, o Brasil é o que mais aplica leis de controle de risco. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) fortaleceu o uso de cinto de segurança, capacete e dispositivo de retenção para crianças, além de proibir a ingestão de bebida alcoólica na direção e estabelecer critérios mais rígidos na fiscalização do excesso de velocidade.

O engenheiro Fernando Diniz, fundador da ONG Trânsito Amigo, cobra ainda multas mais elevadas e investimentos em educação infantil no trânsito. “Temos que pensar no futuro, porque, infelizmente, burro velho não pega marcha”,

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