Game acusado de incitar violência volta ao mercado

Proibido desde 2008, Bully, jogo eletrônico, foi relançado sob duras críticas de educadores

Por O Dia

Rio - Depois de oito anos, um dos games mais polêmicos e controversos da história está de volta ao mercado brasileiro. Intitulado Bully, o jogo, desenvolvido pela produtora Rockstar Games, comercializado sem aviso prévio desde o mês passado em versão digital para PlayStation 4, de responsabilidade da Sony, e PC, foi proibido em 2008 pela Justiça. Na época, o juiz Flávio Rabello, da 16ª Vara Cível de Porto Alegre (RS), vetou a importação, comercialização, distribuição e publicidade do jogo no Brasil, concordando com argumentos do Ministério Público, de que Bully retrata, numa fictícia escola americana, “situações de violência, provocação, corrupção, humilhação e professores inescrupulosos, nocivo à formação de crianças e adolescentes e ao público em geral.”

Na sexta-feira, a assessoria de imprensa do MP-RS informou que encaminhou o assunto para análise à Promotoria da Infância e Juventude do município, que deverá discutir possíveis providências. Já a assessoria do juiz Flávio Rabello ressaltou que o magistrado só se manifestará quando for “provocado nos autos”. A assessoria da Sony, por sua vez, informou que somente a Rockstar poderia se pronunciar, o que não ocorreu até o fechamento desta edição.

O game Bully%2C da produtora Rockstar%2C traz%2C segundo a Justiça%2C cenas que incentivam violência extremaReprodução

Bully, classificado pelo MP gaúcho de “excessivamente violento e incentivador a agressões físicas e atos de humilhação entre estudantes e entre alunos e professores”, coloca o jogador no papel de Jimmy Hopkins, estudante obrigado a frequentar um internato pela mãe e pelo padastro, que passa por situações difíceis para se livrar de valentões da escola. A aventura, similar ao GTA, se passa exclusivamente dentro do ambiente escolar e nos arredores da instituição. O game mostra o jovem se virando para ‘sobreviver’ entre alunos malvados e professores autoritários, que acabam fazendo-o aprontar travessuras para “sacanear as patricinhas” e “salvar os nerds”, como diz a sinopse do jogo.

O retorno de Bully, que custa mais de R$ 40, divide opiniões. “Até que enfim. Vou aproveitar para jogar antes que retirem de circulação”, defendeu um internauta, que se identificou como J.Fernandez, afirmando que a Justiça “deveria se preocupar mais com a violência e a corrupção”. “Violência e corrupção é justamente o que ensina esse lixo”, rebateu Sirléia Marins, também pela internet, referindo-se ao game. 

Pais e especialistas em Educação condenam o retorno de Bully

Especialistas em educação condenam Bully. “Sou totalmente favorável a jogos e tecnologia, mas para construir e não destruir a formação dos jovens. A comercialização de um jogo como esse é um crime contra a infância e um desserviço para a sociedade”, opinou a pedagoga do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFoa), Rita de Carvalho.

Outra pedagoga, Fabiana Silva, da Universidade do Estado do Rio (Uerj), diz que jogos como Bully vêm fazendo parte de históricos de violência praticadas por diversos criminosos. “Na chacina de Realengo, houve relatos que o assassino era vidrado em jogos eletrônicos violentos, assim como foi publicado sobre o homem que tentou matar a atriz Ana Hickmann. Enfim, o mundo já é violento demais, não precisamos de mais incentivos a desgraças e ao desamor”, justificou.

O contador Murilo Conceição, pai de Ygor, de 10 anos, conta que o filho lhe pediu o jogo. “Vetei na hora. Mas tenho medo que ele jogue em lan house com amigos”, comentou.

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