'Perdi dois filhos. Vamos lutar pela paz', diz pai de PMs mortos em dois meses

Soldado Vinicius Ferreira Dias, 32 anos, morreu na quarta-feira. O irmão foi morto por bandido há dois meses na Mangueira

Por O Dia

Colegas de farda confeccionaram camisas em homenagens a policiais vítimas da violência no RioMarlos Bittencourt / Agência O Dia

Rio - Em clima de tristeza e revolta, familiares, amigos e colegas de farda se despedem no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, do soldado da PM Vinicius Ferreira Dias, de 32 anos, morto na quarta-feira, três dias depois de ser baleado em Realengo, na Zona Oeste do Rio. Ele seguia para um almoço de domingo na casa da mãe quando foi assaltado e baleado por criminosos. Há dois meses, o irmão de Vinicius, Eduardo Ferreira Dias, também foi atacado por criminosos na UPP Mangueira e morreu.

"A violência está grande demais. O que acontecerá nos próximos dias? Perdi dois filhos. Não adianta ficar com sentimento de vingança, o que queremos é paz. Vamos lutar pela paz", disse, emocionado, o Moiséis Dias, de 63 anos, pai dos dois PMs.

Victor Hugo Ferreira Dias, irmão de Vinicius e Eduardo, disse que o medo faz com que os policiais não possam se orgulhar da farda que usam. "A gente (os policiais) só pode dizer que é policial depois que morre. Temos que ficar escondidos, não podemos usar nem honrar nossa farda."

Os companheiros de Vinicius confeccionaram uma camisa em homenagem aos irmãos. Com a morte do soldado, sobe para 63 o número de policiais mortos no Rio. "Fica um sentimento de revolta, porque é mais um colega de farda assassinado. Ele era um excelente policial, prestativo. Estamos indignados. Quantos mais serão mortos?", desabafou o sargento Marcos Andre Ladeira, amigo de Vinicius.

Cerca de 50 pessoas, muitos fardados, se despedem do policial. Um enorme comboio chegou com batedores para se despedir do soldado, que trabalhava no Centro de Recrutamento e Seleção de Praças. Os irmãos não eram os únicos na corporação: o pai deles, Moisés Dias, é subtenente reformado, enquanto o tio é coronel reformado, com passagem pelo comando o Grupamento Especial Tatico Movel (GETAM). 

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