Fanáticos por esportes negociam folgas para não perder Jogos Olímpicos

Muitos cariocas planejaram e já estão entrando de férias ou folgas prolongadas. Outros vão tentar dar o famoso jeitinho brasileiro para acompanharem as modalidades

Por O Dia

Rio - Não basta assistir às competições nas horas vagas. Há quem já esteja com tudo pronto para acompanhar quase todas as 306 provas que serão realizadas. Para isso, muitos cariocas planejaram e já estão entrando de férias ou folgas prolongadas. Outros vão tentar dar o famoso jeitinho brasileiro para ficarem afastados de suas atividades profissionais para acompanhar as modalidades, seja pela TV ou nas arenas dos Jogos.

Fanático por esporte%2C Rubens%2C já no clima da Olimpíada%2C vai deixar a mãe%2C Ana%2C à frente de seu restauranteDaniel Castelo Branco

O empresário Rubens Paraíso, de 40 anos, dono da rede de restaurantes Bandeiras e Estácio F.C., é um desses ‘loucos’ por esporte. Para se concentrar e ficar por conta da torcida pelas possíveis conquistas brasileiras, Rubens já montou um esquema especial para ficar longe do mundo dos negócios nesses dias. Rubinho, como é mais conhecido, vai mandar o trabalho para escanteio e fará um revezamento com a mãe, Ana Maria, de 71 anos. O bastão do restaurante ficará com ela, enquanto ele assiste da arquibacada de sua sala e nas torcidas de algumas modalidades a este momento histórico no Rio: os Jogos Olímpicos.

“Eu a treinei para jogar como titular à frente dos negócios durante os Jogos”, brinca Rubens, que já garantiu ingressos para partidas de futebol, basquete e hipismo. Ana Maria, por sua vez, diz que já está acostumada com os desfalques do filho no trabalho, quando o assunto é futebol, principalmente.

“Apaixonado pelo Flamengo, ele faz ‘cera’ para aparecer nos restaurantes em dias de jogos”, diz, já conformada, entre gargalhadas.

A auxiliar veterinária Luciana Santos, 45, da Praça da Bandeira, deu sorte. No Pet Shop Apoteose onde trabalha, a direção do estabelecimento implantou um sistema de rodízio na escala dos funcionários e fez sorteios para a concessão de folgas prolongadas nas Olimpíadas.

"Me dei bem, fui contemplada e vou poder assistir a tudo que quiser pela TV, tomando minha cervejinha, tranquilamente”, comemora Luciana. Ela já deu um tom verde e amarelo na decoração de sua sala, onde vai torcer pelo Brasil, ao lado da filha Ana Letícia, de 17 anos.

Luciana Santos foi contemplada com pequeno período de férias e poderá assistir aos Jogos em casaDivulgação

Para ajudar o governo municipal a reduzir em até 30% o deslocamento de pessoas de casa para o trabalho e vice-versa na Olimpíada, algumas empresas estão, segundo o próprio prefeito Eduardo Paes, dando férias coletivas aos empregados. “Estou na expectativa. Se não me derem férias, vou faltar alguns dias, pois prometi levar meu filho de 12 anos em várias competições. É um momento histórico. Dane-se o trabalho”, exagera A., 37, empregado em oficina no Centro.

Faltas ao trabalho dão demissões

Quem planeja faltar ao trabalho para assistir às competições tem que ter cuidado, pois pode ficar na ‘marca do pênalti’ para ser demitido, inclusive por justa causa. O artigo 482 da CLT, além de advertência e suspensão, detalha, na alínea E’, que a repetição de faltas injustificadas, ou até mesmo uma única falta de gravidade comprovada, pode dar aval a esse tipo de desligamento. Falsificação de atestado também é infração grave.

Falta ao trabalho em dias de jogos, especialmente futebol, costuma dar dor de cabeça aos patrões. Após a Copa do Mundo de 2014, por exemplo, a Consultoria Wiabiliza revelou em pesquisa que o índice de faltas ao trabalho em empresas de diversos setores, em todo o país, chegou a 35%, sete vezes mais que o normal.

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