Chefs reprovam críticas de jornal ao biscoito de polvilho mais famoso do Rio

Após artigo do 'New York Times', profissionais sentenciam: 'Culinária americana é ruim’

Por O Dia

Rio - Agora os americanos foram loge demais. Já criticaram, na Rio 2016, a torcida brasileira, a zika e os problemas nas instalações olímpicas, mas sábado foram além. Feriram o orgulho carioca ao detonar o tradicional biscoito de polvilho Globo, um patrimônio da cidade.

Saborosa rosca foi criada em 1953 por irmãos funcionários de padariaArquivo

jornal ‘New York Times’ publicou, no sábado, reportagem assinada pelo jornalista David Segal, que descreveu o biscoito Globo como “ar transformado em bolacha, em forma de anel, sem gosto como a culinária carioca.” A crítica foi recebida como ofensa. Caiu mal, tipo o cheddar com bacon em excesso das esquinas de Nova York. 

“Não sei quem é esse cara. Sei que o Jimmy Story, cônsul-geral dos EUA, não sai aqui do boteco. O renomado chef americano R.J. Cooper disse que a minha comida é uma das três melhores que ele já comeu na vida. Queria convidar o David Segal para conhecer meu bar. Espero que ele não seja americano que só come hambúrguer e batata frita”, brinca David Bispo, campeão nacional do concurso Comida di Buteco.

O premiado chef carioca, Thiago Castro, dono da Elite Buffet & Eventos, formado em Gastronomia pela Estácio de Sá e Instituto Alain Ducasse Formation, e graduado na Universidade de Lyon, na França, também não poupou críticas a Segal.  “Quem é americano para falar de qualidade de gastronomia, já que os EUA têm o maior índice de obesos do planeta, justamente por se alimentarem mal. Aposto que, no fundo, esse jornalista comprou uns pacotes do biscoito Globo, doce, para assistir partidas de futebol americano no país dele”, brincou.

O casal Welles Batista e Andrea Monteiro, conhecido na boemia como os Originais do Buteco, provocaram: “É americano que não sabe onde comer. Não conhece o bolinho de bacalhau da Dondom, o jiló da D. Zilma, o chouriço do Mussarela, o angu à baiana do Amendoeira.”

Marcelo Ponce, filho de um dos sócios do Globo, Milton Ponce, disse que o pai, aos 80 anos, ficou chateado. “Não por causa do nosso biscoito, mas por ter falado mal da gastronomia carioca. Mas o povo está nos defendendo. É o que importa”, diz.

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