Defensoria quer explicações sobre estudantes apreendidos pela PM em protesto

Ato ocorreu nas proximidades do Engenhão e adolescentes passaram a madrugada na Cidade da Polícia, no Jacaré

Por O Dia


Rio - A Defensoria Pública do Rio informou que vai requerer da Secretaria de Segurança explicações dos motivos da apreensão de cerca de 30 adolescentes que participaram de uma manifestação nas proximidades do Engenhão, na tarde da última sexta-feira. Na ocasião, o grupo foi apreendido pela Polícia Militar e só liberado após passar a madrugada do último sábado na Cidade da Polícia, no Jacaré. 

De acordo com relatos nas redes sociais, mais de 50 estudantes foram detidos. Os secundaristas levavam cartazes com dizeres como "a tocha mata', "Olimpíada mata pobre", "Resiste", "Poder para o povo" e outros. 

Adolescentes passaram a madrugada na Cidade da Polícia%2C no Jacaré após serem apreendidos em protesto no MéierReprodução Facebook

Em um encontro com meninos e meninas que foram apreendidos, nesta segunda-feira, a coordenadora de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cdedica) da Defensoria, Eufrasia Maria Souza das Virgens, ouviu sobre o abusos dos policiais militares, segundo eles.

Segundo relatos de alguns dos estudantes, os policiais invadiram uma residência particular, no Méier, cujo proprietário havia autorizado a entrada dos manifestantes. Em seguida, interceptaram um ônibus, fizeram todos os passageiros descer e obrigaram os manifestantes a embarcar. Conduzido à Cidade da Polícia, o grupo teria sido submetido à revista vexatória e a xingamentos.

"Precisamos saber com clareza o motivo pelo qual esses adolescentes foram autuados, bem como obter mais informações sobre a abordagem policial. Os relatos dão conta de que os manifestantes foram dispersados com bombas de efeito moral. Um dos meninos foi ferido por um tiro de bala de borracha", afirmou Eufrasia.

Os relatos sobre o episódio da última sexta-feira foram feitos à defensora pública após reunião com estudantes do ensino médio para detalhamento de propostas de melhoria do ensino e de infraestrutura da rede estadual. A reunião estava prevista no calendário de negociação que levou ao fim da ocupação das escolas.

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