Por gabriela.mattos

Rio - O aposentado Francisco Soares, de 72 anos, morreu na madrugada de ontem, após nove dias de uma intensa batalha da família para transferi-lo da enfermaria para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Federal de Bonsucesso. O drama foi mostrado ontem pelo DIA. Francisco sofreu um AVCh. A família temia que ele morresse por falta de atendimento.

Filha dele, a professora Ana Cristina Nascimento, 34, informou que registrou ocorrência na 21ª DP (Bonsucesso). Ontem à noite, os parentes aguardavam a chegada do Corpo de Bombeiros na delegacia para retirada de documento que autorizaria a transferência do corpo do hospital para o Instituto Médico-Legal (IML).

“Meu pai entrou no hospital falando e andando. Uma semana depois saiu morto”%2C relatou Ana CristinaEstefan Radovicz / Agência O Dia

“Quero saber a verdadeira causa da morte do meu pai. No hospital disseram que foi insuficiência renal, mas não acredito nisso”, disse Ana Cristina. “Quero processar o hospital e quem quer que seja pelo que fizeram ao meu pai. Ele entrou no hospital falando e andando. Uma semana depois saiu de lá morto. Quero que os culpados sejam punidos”, acrescentou.

Ana Cristina vai aguardar o laudo da necrópsia. “Por enquanto, não posso acusar que o motivo da morte do meu pai foram maus-tratos ou falta de algum atendimento que ele precisava. Como filha e cidadã, eu acho que ele precisava de muita coisa. Mas só o médico legista e o médico que estava de plantão no hospital durante todos esses dias podem ter um parecer médico se houve ou não negligência”, disse.

Na noite de quarta-feira, Ana Cristina correu para a Defensoria Pública na tentativa de conseguir uma ordem judicial para que seu pai fosse transferido para o CTI. O hospital, segundo a família, alegou não ter vaga na unidade intensiva. O DIA mostrou ainda o caso de Creusa, 60, obrigada a ocupar um leito improvisado. Vítima de câncer no pâncreas, ela ficou uma semana deitada em quatro cadeiras porque a direção do HFB teria alegado que não havia leitos disponíveis, como relatou a sobrinha dela, a doméstica Ana Paula, 34.

Hospital nega haver descaso

A direção do HFB informou que Francisco “recebeu o atendimento assistencial necessário para o seu estado clínico”. O hospital alegou que possui “emergência de porta aberta” e recebe todos os pacientes que buscam atendimento. “A assistência é prestada de acordo com a classificação de risco. Aqueles que necessitam de internação são direcionados para os respectivos serviços assistenciais da unidade, que são de média e alta complexidade”, diz, em nota.

Já sobre a necessidade de pessoal para abrir leitos no Hospital Universitário da UFRJ, no Fundão, como O DIA também mostrou ontem, o Ministério da Educação, ao qual a unidade é ligada, informou que “está em negociação com o Ministério do Planejamento para obter autorização e criar novas vagas para contratação em universidades para 1.200 docentes, 150 docentes titulares livres e 1.530 pessoas para quadro administrativo”.

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