Polícia investiga lavagem de dinheiro em venda ilegal de ingressos da Rio 2016

Um dos suspeitos prestou depoimento e foi inocentado. Esquema poderia render cerca de R$ 10 milhões ao grupo

Por O Dia

Rio - O presidente do Comitê Olímpico da Irlanda, Patrick Hickey, mantinha relações estreitas há seis anos com Marcus Evans, diretor-presidente da THG, empresa que praticava cambismo com ingressos da Rio 2016, informou nesta terça-feira o delegado Ricardo Barbosa, do Núcleo de Apoio aos Grandes Eventos (Nage) da Polícia Civil.

"A análise do material apreendido e dos emails confirmam que o Patrick estava em contato direto com o Marcus Evans, que é o diretor-presidente da THG. Essa empresa é responsável pela venda ilegal de ingressos revestidos por um programa de hospitalidade. Era um esquema criminoso maquiado”, afirmou.

Na troca de emails entre Evans e Hickey — preso desde sexta-feira —, divulgada durante coletiva na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, o presidente do comitê irlandês diz que não iria utilizar as entradas e autoriza a negociação dos tíquetes. De acordo com a polícia, ingressos da cerimônia de abertura da Olimpíada, com valor original de R$ 1,4 mil, eram negociados por até U$ 8 mil.

Dos três suspeitos intimados a prestar depoimento nesta quarta na Cidade da Polícia (Kevin Kilty, Dermot Henihan e Stephen Martin), membros do Comitê Olímpico Irlandês, apenas Dermot compareceu. Os outros dois, como trocaram de advogado e não tiveram acesso aos autos do processo, só vão depor amanhã.

Em depoimento à polícia, Dermot afirmou que assinava papéis por questões burocráticas e não mantinha contato direto com Patrick Hickey. A polícia informou que ele exercia função administrativa e não é mais considerado suspeito. Ele foi liberado para voltar à Irlanda.

Relação teve início em 2012

Os diálogos entre o presidente do Comitê Olímpico da Irlanda, Patrick Hickey e Marcus Evans, diretor-presidente da THG, eram semanais. “O comitê irlandês já possuía uma relação anterior com a THG, que nos Jogos de Londres, em 2012, foi a empresa credenciada para a venda de ingressos. Só que a THG não foi credenciada pra a Rio 2016, então foi criada a Pro 2010”, lembrou Ricardo Barbosa. Nos emails trocados entre Hickey e Evans, os suspeitos mencionam a venda destes bilhetes para as vítimas de cambismo.

Ao todo, a Polícia Civil expediu nove mandados de prisão. Patrick Hickey e Kevin Mallon já estão presos em Bangu 10, no Complexo Penitenciário de Gericinó, Zona Oeste. Os outros sete mandados estão em nome de executivos da Pro 10 e THG, que estão fora do país.

Últimas de Rio De Janeiro