Polícia e MP fazem ação para prender suspeitos de matar candidatos na Baixada

Três mortes estão ligadas a disputa de roubo de combustível. Justiça expediu mandados de prisão, mas ninguém foi preso na megaoperação

Por O Dia

Rio - Três das 13 vítimas de homicídios a políticos na Baixada Fluminense não possuem qualquer vinculação com a política partidária, mas sim com a atuação de milicianos ligados à máfia dos combustíveis na região. O furto de óleo ocorria em dutos da Petrobras, num sítio alugado em Xerém, distrito de Duque de Caxias. A informação é do delegado Rivaldo Barbosa, chefe das Delegacias de Homicídios da Polícia Civil, que hoje comandou uma megaoperação que mobilizou 150 agentes em 24 pontos de Duque de Caxias.

Foram expedidos pela Justiça 12 mandados de prisão temporária e 12 de busca e apreensão em Caxias, Belford Roxo e Magé. Entretanto, ninguém foi preso. A ação contou com um helicóptero e apoio de todas as unidades que investigam crimes de homicídio, além de agentes da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público.

Foram apreendidas uma pistola, dois revólveres, uma escopeta calibre 12, uma arma de paintball, munições não contabilizadas e uma camiseta com a logo da Polícia Civil.

As três mortes atribuídas à milícia ocorreram em Caxias, entre novembro de 2015 e agosto deste ano. Durante as investigações foi descoberta uma quadrilha que roubava combustível e derivados de petróleo há pelo menos seis meses, usando uma máquina com capacidade para retirar até 20 mil litros por hora. Segundo investigadores, eram extraídos 200 mil litros por dia — cada litro era vendido por até R$ 0,40.

O roubo de óleo era feito através de ‘bicas’, como são chamadas as perfurações ilegais de dutos da empresa para o furto de combustível. “Queremos mostrar a verdadeira motivação, onde ficou caracterizado que nas três mortes de Caxias não há qualquer vinculação com filiação político-partidária, e sim com atividades criminosas que trazem prejuízos à Petrobras”, disse Rivaldo Barbosa.

O dono do sítio, a 15 km da Reduc, disse que não sabia do esquema. O espaço foi alugado pelos criminosos, que analisavam se havia passagem de dutos no local, montavam o esquema e realizavam a extração, carregando o produto em caminhões. A máfia, liderada pela milícia, estaria descontente com a entrada de novos ‘sócios’ no ramo, o que ocasionou as mortes de Sergio Conceição Almeida, o Berém do Pilar, Leandro Silva e Denivaldo Meireles, este último o único sem filiação partidária. Almeida era candidato pelo PSL e Leandro concorria pelo PSDB. Denivaldo foi morto no estacionamento de um shopping em Caxias, em julho, por homens que usavam camisas da Polícia Civil – peça semelhante foi achada na casa de um dos suspeitos, em Belford Roxo.

Segundo a polícia, os milicianos também praticavam roubos e furtos de cargas na Rodovia Washington Luiz (Rio-Petrópolis), que corta Duque de Caxias. Parte de uma carga que havia sido roubada pelo grupo foi recuperada na operação desta quinta-feira, como cargas de extrato de tomate e garrafas de suco. 

Em nota, a Petrobras e sua subsidiária, a Transpetro, informaram que colaboram com as investigações. Sobre a operação desta quinta-feira, disse que “houve uma tentativa de furto de combustível na estrutura do oleoduto Orbel II, que liga Rio a Belo Horizonte, na altura do Km 14 do Arco Metropolitano."

"Bica"%2C como é chamada a perfuração ilegal para roubar combustível da Petrobras%2C foi encontrada no terreno de uma das vítimas mortas este anoDivulgação

Imagens feitas pelos agentes mostram que mangueiras de borracha eram ligadas diretamente aos dutos, que ficam no meio do mato, em locais de difícil acesso, em Caxias. “O grupo identifica onde a malha de dutos está passando, aluga a propriedade, de preferência rural, fecha para controlar o fluxo de pessoas para evitar a fiscalização e faz uma fissura no duto. Aí se passa a extrair com a mangueira esse combustível, para ir para caminhões”, explicou Giniton Lages, titular da Delegacia de Homicídios da Baixada (DHBF).

Segundo ele, o foco da operação era a busca e apreensão de armas, confirmar a atividade de milícia e o furto de combustível. “Agora, temos um outro crime envolvido no caso. Vamos continuar investigando e em duas semanas haverá uma nova etapa da operação, que será com prisões”, disse.

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