Movimentos sociais realizam ato em defesa de ambientalista processado pela CSN

Sandro Honório participa de audiência agora a tarde no Fórum de Volta Redonda

Por O Dia

Rio - Lideranças comunitárias e ambientais farão uma manifestação no Fórum de Volta Redonda, no Sul Fluminense, nesta sexta-feira, onde estava marcada uma audiência referente ao processo 0005083-32.2016.8.19.0066, por suposta calúnia, movido pela direção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) contra o ambientalista Sandro Honório, conselheiro no Movimento pela Ética na Política (MEP) e membro da Comissão Ambiental Sul, entidade que engloba diversas Ongs, instituições, igrejas e associações voltadas para a defesa do meio ambiente.

Sandro Honório (de camisa branca)%2C reunido com advogados na porta do Fórum de Volta Redonda%2C aguardando início de audiênciaDivulgação / MEP e Oposição metalúrgica

Sandro e outros representantes de movimentos sociais iniciaram em novembro do ano passado uma série de mobilizações populares, nas quais deram declarações com o objetivo de chamar a atenção da Justiça Federal para "a importância da devolução ao poder público da maior parte de 147 áreas de terras, e prédios, que hoje estão em nome da Companhia Siderúrgica Nacional(CSN)", bandeira defendida pela entidades há mais de uma década.

Durante a audiência, que terminou agora há pouco, advogados propuseram um acordo para dar fim ao processo criminal, no qual Sandro Honório deveria fazer uma retratação pública pelo que, supostamente, teria afirmado contra a empresa num jornal do município. Os advogados de Honório, liderados por Alex Martins, presidente da OAB-VR,  recusaram a proposta, pois entendem que não houve crime por parte do ambientalista ao se manifestar. Uma nova audiência foi marcada para a próxima semana.

De acordo com o MEP, áreas  e imóveis antes frequentados por moradores em Volta Redonda, e fechados com cercas de cadeados há mais de 15 anos pela CSN, que também não os utiliza para nada, revoltam a população.

Manifestantes estenderam faixa criticando CSN na porta do Fórum de Volta Redonda%2C em defesa de ambientalistaDivulgação / MEP e Oposição metalúrgica

As entidades, com apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-VR), lideranças comunitárias e de várias igrejas, entre elas  católicas e protestantes, já assinaram uma nota de repúdio, divulgada nas redes sociais, realizaram um encontro público, no qual criticaram duramente a empresa, e prometem novas formas de protestos nos próximos dias. A justificativa é de que "a ação contra o ambientalista é um frontal ataque a liberdade de expressão, e atinge diretamente os movimentos sociais em Volta Redonda".

“Durante a audiência vamos realizar uma `vigília cívica-ambiental’, para demonstrar que todos os movimentos sociais estão prestando solidariedade a Sandro Honório”, comentou José Maria da Silva, o Zezinho, um dos líderes do MEP. "A CSN deveria estar mais preocupada, ao invés de perseguir inocentes, em achar soluções para as demissões em massa na empresa, que vem resultando a cada dia em mais mortes de trabalhadores dentro da usina, em função de sobrecargas de trabalho", criticou Tarcísio Xavier, da Oposição Sindical Metalúrgica. “Tenho a consciência tranquila que não pratiquei nenhum crime. Apenas luto com meu povo por justiça ambiental, na tentativa do diálogo e defesa do livre e sagrado direito da liberdade de expressão do pensamento”, defendeu-se Sandro em seu perfil no facebook. 

Em nota, a CSN alegou que Sandro Honório de Carvalho "afirmou por escrito que a CSN 'matou gente no (bairro) Volta Grande IV'. "Disse ainda que 'dos 38 Termos de Ajustamento de Conduta, a CSN cumpriu somente 11 TAC’s'. Afirmar que uma empresa é responsável pela morte de pessoas e que descumpriu 27 acordos ambientais é algo gravíssimo, não uma questão de ter opiniões diferentes. Como os fatos não ocorreram, Sandro Carvalho deverá responder judicialmente pelas difamações e calúnias", diz o texto enviado pela assessoria da siderúrgica.

Últimas de Rio De Janeiro