Seis torturados e mortos em um ano no Chapadão

Caso mais recente foi de um motoboy, que está desaparecido há cinco dias

Por O Dia

Criminosos usaram WhatsApp de motoboy para falar sobre morteReprodução Vídeo

Rio - Em pouco mais de um ano, pelo menos seis pessoas desapareceram no Complexo do Chapadão, em Costa Barros, na Zona Norte, uma das favelas mais perigosas do Rio. Segundo a polícia, elas teriam sido torturadas e mortas por traficantes.

Cinco corpos ainda não foram encontrados pela polícia. O sexto caso foi do motoboy Lucas da Silva Santos, de 20 anos, que desapareceu da comunidade na última segunda-feira. De acordo com moradores, dois dias depois do sumiço, bandidos se comunicaram pelo WhatsApp dele, dizendo que o rapaz teria virado ‘churrasco’ ao serem perguntado sobre o paradeiro de Lucas.

Ainda não se sabe se a motivação do possível crime, embora moradores tenham garantido que o jovem foi assassinado dentro do Chapadão. A vítima saiu de casa para comprar pão e não foi mais vista. De acordo com a Polícia Civil, não há registro do desaparecimento em delegacias da área. A família foi procurada, mas não quis comentar sobre o caso.

Na região, que conta com 16 comunidades, a prática de queimar corpos têm sido frequente. Principalmente dentro de porta-malas de carros, na parte alta do complexo, onde há área de mata.

“No Chapadão, há este fenômeno de torturar, matar, queimar e sumir com o corpo. É o perfil dos chefões da região. Isso não é visto em outra favela com essa frequência. Querem mostrar poderio, mostrar quem é quem manda. Ou seja, se não seguirem regras, a sentença é a morte violenta”, explicou o fundador do Bope, coronel Paulo Amêndola. Ainda segundo ele, o Chapadão precisa de uma ocupação permanente da polícia. “Enquanto isso não é feito, tem que identificar os chefes do tráfico e prendê-los”, disse.

Um dos casos que mais ganharam repercussão neste ano foram as mortes de um militar do Exército e de um ex-soldado, após serem torturados na comunidade do Final Feliz. Jorge Fernando Souza e Cleiton Massena foram espancados por traficantes. Um agente do Degase conseguiu escapar. Eles estariam trabalhando como taxistas executivos quando foram pegos. “Além de saber que foi morto, ainda convivo com a dor de não ter o corpo dele para enterrar. Para a Justiça, meu filho não morreu, pois está com o nome sujo no Serasa. Ee para o Exército, é desertor”, lamentou Elias Souza, 47, pai de Jorge Fernando.

Chefões na mira da polícia

Quem dá as ordens no Complexo do Chapadão são os traficantes Luis Carlos Rodrigues Junior, o Lorão, e um traficante conhecido como Grisalho, que ainda não tem mandado de prisão, segundo investigadores da Polícia Civil.

Na região, o corpo de uma outra vítima ainda é procurado desde 29 de agosto do ano passado. Andressa Rebelo, de 23 anos, foi pega por traficantes na saída de um baile funk. A polícia descobriu que ela foi executada com tiros na cabeça e queimada.

No Chapadão, nem um jovem portador de autismo foi poupado por traficantes. No dia 12 de novembro, Júlio Pimenta Rosa, 22, teve a morte filmada por criminosos do Gogó da Ema. Ele foi agredido com golpes no pescoço e foi queimado.

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