'Vou cancelar o IPTU dos que não puderam pagar', afirma Indio da Costa

Ex-secretário de Esportes e Lazer da atual gestão, o deputado federal se considera opositor de Paes e tece críticas ao candidato Pedro Paulo

Por O Dia

"Vou derrubar o decreto e devolver o dinheiro em todos os casos de aumento abusivo de IPTU"%2C diz Indio da CostaAlexandre Brum / Agência O Dia

Rio - O candidato a prefeito do Rio Indio da Costa (PSD) quer implementar um modelo de administração participativa na cidade. Ex-secretário de Esportes e Lazer da atual gestão, o deputado federal, que foi um dos relatores da Lei da Ficha Limpa, se considera opositor de Eduardo Paes e tece críticas ao candidato da situação, Pedro Paulo (PMDB). “Ele nunca foi gestor de nada”, afirma.

No slogan que norteia suas propagandas na televisão, Indio diz que “vai botar para funcionar o que não está funcionando”. A mensagem — um tanto vaga, segundo ele próprio — é explicada como uma forma de facilitar a vida dos contribuintes. “Você paga muito imposto e não recebe de volta o serviço de qualidade”, critica o candidato.

O DIA: Explique a sua ideia de administração participativa.

INDIO: Quem vai governar a cidade são os cariocas, através dos servidores. Você não está em todos os lugares. Se tem 3 milhões de pessoas que são usuárias do sistema de Saúde, e elas disserem que o médico está atrasado, que não aparece para trabalhar, que não tem seringa, agulha... Por uma tela na sala do prefeito, você fica acompanhando onde estão os problemas e consegue fazer as intervenções para solucionar o que se entende como problema.

Informatizando a rede?

Mais que isso. É dar acesso às pessoas, por aplicativo de celular, a uma espécie de acompanhamento da cidade. O que acontece com o Uber? O processo inteiro é acompanhado pelo sistema, que é exatamente a mesma coisa que eu estou propondo à Saúde. Você entregar nas mãos dos cidadãos o direito de entrar no aplicativo. Hoje, quem faz o acompanhamento é a administração, não é o usuário. Em tudo. Transporte, Educação, Saúde e assim por diante.

Você é a favor das Organizações Sociais de Saúde?

Elas podem contribuir onde há um vazio na administração. É um complemento. Você não vai conseguir médicos para trabalhar em Santa Cruz, Campo Grande, Realengo, Padre Miguel, Acari. Hoje, as OSs viraram a espinha dorsal. Tem que ter uma auditoria, transparência. A primeira coisa é publicar no Diário Oficial o nome de todos os profissionais contratados nas OSs, com o salário, a carga horária e a função. Pegar todas as informações e colocar na entrada de cada unidade de saúde. 

Isto não pode causar constrangimento e um colapso no sistema?

O dinheiro é público. Quem paga é você. No servidor concursado, tudo bem não colocar. Mas no terceirizado, ou você dá o máximo de transparência ou fica como está hoje. As pessoas sabem que os cabos eleitorais do Pedro Paulo estão contratados pela Assembleia Legislativa, pela Câmara, pela Prefeitura, Estado. É usar o estado para se manter no poder.

Você acha que realmente existe o risco de o servidor municipal passar pelos mesmos problemas dos estaduais?

Basta pegar os dados do Tribunal de Contas para ter certeza de que existe o risco. Se houver a continuidade do governo Eduardo Paes com o Pedro Paulo, o servidor vai ficar sem receber.

Você é a favor de armar a Guarda Municipal?

Sou a favor de ir muito além desta discussão. Ela tem que ser presente, mas com informação, tecnologia e inteligência. A Guarda hoje não poderia portar arma. Precisa avançar muito em qualificação técnica, informação, tecnologia.

E a promessa de reduzir o IPTU. Como vai ser?

O aumento do IPTU se deu de forma sorrateira. Vou devolver o dinheiro em todos os casos de quem teve aumento abusivo. E vou cancelar a cobrança daqueles que não puderam pagar.

Não é complicado você, Jandira e Osório dizerem que são oposição se sempre fizeram parte do governo do Eduardo Paes?

O drama deles é completamente diferente. Trabalhei um ano no governo. O Eduardo abriu um espaço na secretaria de Esportes e não me deixou fazer nada. É diferente do Osório, que nasceu no ventre do Paes. O prefeito pediu que eu apoiasse o Pedro. Eu fui almoçar com ele e saí de lá preocupadíssimo. Pensei: “Se esse cara for prefeito, o Rio de Janeiro está liquidado”. Percebi muito despreparo nele. 

Mas o prefeito sempre se referiu ao Pedro Paulo como um supersecretário, Primeiro Ministro...

O Pedro Paulo era um assessor do Eduardo, muito próximo. Mas nunca foi gestor de nada. O que ele já fez? Qual é a marca do Pedro Paulo?

Por falar em polêmica, e aquela sua antiga ideia de multar quem der esmola para mendigo, típica da direita?

É que eu fazia parte de um governo (Cesar Maia) especializado em factoide (risos)

O Crivella também faz acusações a você citando a CPI da Merenda. Como você responde a isso?

Eu quebrei o cartel. Os documentos do Tribunal de Contas e do Ministério Público estão no meu site e eu, quando for prefeito, continuarei quebrando cartéis.

E a acusação de que a empresa Comercial Milano teria sido privilegiada?

Teve a licitação e quem venceu não quis assinar o contrato porque queria que eu refizesse a licitação para aumentar o preço do produto e ter um lucro maior. A Milano assumiu o lugar do primeiro colocado com o preço do primeiro colocado.

Você chegou a ser acusado, pela vereadora Andréa Gouvêa Vieira (PSDB), de conduzir de forma autoritária as sessões da Comissão de Finanças, quando a presidia.

Não me lembro. A Andréa ficava dando ‘piti’ porque tinha problema com o Cesar Maia. Mas isso é uma coisa normal da democracia.

?Com o estagiário Caio Sartori