Costa Barros: indícios de crime por parte de oficiais

Major gerenciaria empresa de segurança e pediu ajuda a batalhão para recuperar caminhão roubado em ação que resultou na morte de cinco jovens

Por O Dia

Rio- Uma averiguação disciplinar da Polícia Militar concluiu que há indícios de crime militar por parte dos majores Moisés Sardemberg e Ewerton Lucena. Eles seriam gerentes da empresa de segurança Sator, firma que tinha como cliente a Ambev, que, em novembro do ano passado, teve um caminhão de bebidas roubado em Costa Barros. De acordo com o Código Penal Militar, é crime oficial da ativa ter papel de gerência em uma empresa.

Carro onde estavam os adolescentes foi alvejado por pelo menos 63 disparos de fuzis de policiais militaresReprodução

O processo administrativo relativo aos oficiais foi realizado após uma reportagem do DIA, publicada no dia 4 de dezembro passado, segundo boletim da corporação. A matéria ‘Major estaria por trás de ação que matou jovens de Costa Barros’ trazia os bastidores que desencadearam a morte de cinco adolescentes no bairro, fuzilados por policiais militares na noite do roubo do caminhão da Ambev.

Sardemberg, que é sócio-cotista da Sator, ao saber do roubo, fez contato via WhatsApp com um capitão do Batalhão de Irajá, unidade responsável pelo policiamento na área, a qual enviou um grupo de policiais para recuperar o caminhão. No deslocamento, os agentes fizeram mais de cem disparos em um carro onde cinco jovens — que não tinham envolvimento no crime — estavam. O caso ficou conhecido como a “Chacina de Costa Barros”.

O oficial que recebeu a ligação de Sardemberg e que acionou a viatura não cometeu crime, concluiu a averiguação. Foi constatado que Sardemberg é sócio-cotista da empresa, com 33% das ações; sua esposa possui 34% e, o major Ewerton, outros 33%. Além disso, os majores desempenhariam a gerência da companhia e influência na corporação.

“A empresa tinha sucesso, sendo certo que o êxito daquelas atividades era facilitado, obviamente, em razão de informações privilegiadas e/ou possíveis influências que detinham por conta de suas ocupações funcionais”, diz a publicação da decisão.

O promotor Paulo Roberto Mello, da auditoria militar, disse que vai avaliar o caso para denunciar ou não à Justiça. A pena do crime prevista para o oficial que gerenciar empresa é a suspensão do exercício do posto, de seis meses a dois anos, ou reforma. Os oficiais citados não foram encontrados pela reportagem.

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