Especialistas veem disputa na reta final entre Pedro Paulo e Marcelo Freixo

Para cientista político, candidato do Psol precisa mudar de estratégia se quiser continuar na pleito

Por O Dia

Rio - Um olho no eleitor, outro nas pesquisas. Este é o clima na reta final de campanha dos seis candidatos a prefeito do Rio que estão, segundo os estudos e suas margens de erros, tecnicamente empatados na briga pelo segundo lugar e por uma vaga no segundo turno das eleições contra o candidato Marcelo Crivella (PRB).

De acordo com os especialistas ouvidos pelo DIA, a briga por esta segunda vaga deverá ficar restrita a apenas dois candidatos: Pedro Paulo (PMDB) e Marcelo Freixo (Psol). E para o cientista político Ricardo Ismael, da PUC, Freixo precisa mudar de estratégia se quiser continuar na disputa.

“Ele optou por não fazer alianças, ficou sem tempo para a campanha na TV e agora vai ter que buscar o voto de eleitores da Jandira e do Molon. Mas ele não ataca ninguém, por isso não consegue avançar. Ele precisa explorar o fato de a Jandira ter feito parte do atual governo o tempo todo. É dali que ele vai tirar voto. Não vai ser do Pedro Paulo”, aposta Ismael.

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Briga pela segunda vaga nas eleiçõesArte O Dia

Segundo o professor, as pesquisas devem continuar apontando uma subida de Pedro Paulo, devido à presença cada vez mais constante do prefeito Eduardo Paes na campanha, visto que sua gestão tem a aprovação de quase 30% dos eleitores, que avaliam como boa ou ótima a sua administração.

“É uma estratégia que tem dado certo. Diferentemente do que fez a Jandira, por exemplo, que trocou o Fora Temer, que é popular, agrega voto, pelo Volta Dilma, que tira voto”, avaliou.

Ismael também diz que a estratégia de Indio da Costa em atacar Pedro Paulo de forma ostensiva não funcionou.

“Ele disputa os votos dos eleitores que avaliam bem a gestão do Paes. E acho pouco provável que o Pedro Paulo vá perder votos nesta reta final”, explicou.

Geraldo Tadeu, cientista político da UERJ, concorda com o colega. Ele acredita que somente um fato novo — e bastante significativo — possa levar ao segundo turno, para a disputa contra Crivella, um candidato que não seja Freixo ou Pedro Paulo.

“Há uma tendência para o voto útil. O Freixo vem, desde abril, com o mesmo percentual nas pesquisas. Se quiser ir para o segundo turno, será com votos que hoje estão com Jandira e Molon. Já o Pedro Paulo, a força da máquina do PMDB começa a dar resultado e ele tem crescido em todas as pesquisas. Pouco, mas tem”, explica Geraldo Tadeu.

Enquanto a turma se engalfinha na briga pelo segundo lugar, Marcelo Crivella segue confortavelmente na liderança, com mais de 30% de intenções de voto. Apesar da larga vantagem, os especialistas alertam que o jogo ainda não está ganho.

“Ele vai ter que evitar as cascas de banana que serão colocadas e escapar de qualquer polêmica se quiser vencer”, diz Geraldo Tadeu.

Ricardo Ismael lembra que Crivella pouco foi atacado pelos adversários neste primeiro turno. “Ele não foi atacado. O percentual dele é alto, mas não vejo como consolidado. Vejo chances tanto para Pedro Paulo como para Freixo”, diz.

Datafolha aponta duelo

Pesquisa de intenção de voto divulgada ontem pelo Datafolha aponta que Pedro Paulo e Marcelo Freixo estão um pouco mais à frente dos demais na briga pela segunda vaga.

A liderança de Marcelo Crivella segue consolidada, mas segundo o instituto, o índice de eleitores que pretende votar no candidato do PRB caiu de 31% para 29% das intenções de voto.

No andar de baixo, Pedro Paulo foi um dos poucos a apresentar crescimento, passando de 9% para 11%. Já Marcelo Freixo caiu de 11% para 10%, em relação à pesquisa anterior. Jandira Feghali caiu dois pontos percentuais, passando de 9% para 7%, o mesmo índice atingido por Flávio Bolsonaro tanto nesta pesquisa como na anterior, divulgada no dia 22 de setembro.

O tucano Carlos Osório passou de 4% para 6% e Indio da Costa tinha 6% e caiu para 5%.
Alessandro Molon, Carmen Migueles e Cyro Garcia aparecem com apenas 1%. Thelma Bastos não alcançou 1%. O índice de eleitores que pretende votar em brancos ou anular o voto é de 15% e 7% dos entrevistados não souberam responder à pesquisa.

O Datafolha ouviu 1.144 eleitores de todas as regiões do Rio, com 16 anos ou mais, no dia 26 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa foi registrada no TRE sob o protocolo RJ-08324/2016.