Crise hídrica ainda é preocupação

Redução de vazão dos reservatórios do Paraíba, que abastece o Rio, é estendida até novembro

Por O Dia

Rio - Ainda não é possível considerar que a crise hídrica no estado passou de vez, sinalizou a Agência Nacional de Águas (ANA) ontem. O órgão decidiu manter reduzida a passagem de água pela barragem de Santa Cecília, em Barra do Piraí, que chega ao Guandu, abastecedor da Região Metropolitana do Rio. Da represa, costumavam sair 190 metros cúbicos de água por segundo, mas, desde março do ano passado, o volume foi reduzido para 110 metros cúbicos por segundo. A restrição deveria ter sido suspensa em setembro, mas, como foi publicado ontem no Diário Oficial, deve agora continuar até novembro.

No ano passado, os reservatórios do Paraíba do Sul chegaram a 7% ao volume útil, agora estão em 47%Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

A medida foi pensada para aumentar o nível dos reservatórios da Bacia do Rio Paraíba do Sul, que na quinta-feira marcavam 47,6% do volume útil total. Em comparação à mesma data do ano passado, em que o nível era de 7,2%, a melhora é significativa, porém o sistema de abastecimento ainda não chegou à normalidade. Em setembro de 2011, por exemplo, as reservas de água eram de 70%.

O coordenador do Laboratório de Hidrologia da Coppe/UFRJ, Paulo Canedo, explica que a época é de resquícios da crise hídrica. O abastecimento à população já foi normalizado, mas ainda há restrições operacionais até que se chegue a um nível seguro das reservas de água. “O doente teve alta, mas precisa ficar na cama descansando. Nossos reservatórios já chegaram a um nível que não precisa de economia especial. Porém, ainda precisa de cuidado”, disse Canedo.

Por enquanto, a ANA aguarda o início do período chuvoso. Neste ano, apenas os meses de janeiro e junho superaram a média esperada de chuva. “O Centro, Sudeste e Nordeste do Brasil estão com seca. Isso obriga a por as barbas de molho”, explica Canedo.

A resolução afeta também os reservatórios rio abaixo, de Paraibuna, Santa Branca, Jaguari e Funil. Segundo a determinação, a descarga mínima de Santa Branca fica reduzida de 40 para 10 metros cúbicos por segundo. O Reservatório de Funil mantém a restrição de 80 para 60; a represa de Jaguari, de 10 para 4; e a de Paraibuna, de 30 para 7 metros cúbicos por segundo. A decisão foi do Grupo de Trabalho Permanente de Acompanhamento da Operação Hidráulica na Bacia do Rio Paraíba do Sul (GTAOH) e do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap).

A Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) garantiu que o abastecimento não será afetado. Porém, a pasta informou números diferentes dos da ANA. Em nota, a SEA comunicou que a vazão em Santa Cecília deve aumentar de 120 para 130 metros cúbicos por segundo na segunda-feira, e para 140 no dia 10 de outubro. O abastecimento de água no Rio correu grave risco em 2015. O Reservatório do Paraibuna, o maior dos que abastecem o estado, chegou ao volume morto, a chamada ‘reserva técnica’, duas vezes no ano.

Da estagiária Alessandra Monnerat

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