Por bianca.lobianco

Rio - O sol estava forte quando o atual prefeito de Itaboraí, Helil Cardozo (PMDB), entrou na favela da Reta Velha, no município da Região Metropolitana, acompanhado de cerca de 500 pessoas, no último domingo. Cerca de uma hora depois, o seu coordenador de campanha e candidato a vereador pelo PTC Ricardo Guimarães, de 49 anos, foi morto com um tiro de fuzil. “Ele teve o nome anunciado pelo carro de som, como capitão Guimarães, já que era policial. Os traficantes vieram e o mataram”, afirmou uma testemunha em depoimento.

Mortes de pessoas ligadas à política fazem do Rio um 'faroeste eleitoral'Arte O Dia

O assassinato de Guimarães, em plena luz do dia, na frente de várias testemunhas, é mais um caso de candidato morto durante a campanha eleitoral deste ano. No total, somente em 2016, doze pessoas ligadas à política foram mortas no Rio de Janeiro. O número representa quase metade dos assassinatos políticos no País este ano, contabilizados em 28.

A Baixada Fluminense possui o maior número de mortes: foram 14 nos últimos 10 meses. Desses casos, somente dois são tidos pela polícia com a motivação político-partidária. Os outros são resultantes de disputas por milicianos, coações de traficantes ou com motivações amorosas.

“Crime político são aqueles em que o motivo é a disputa partidária em si. Alguns são motivados por disputa de território de milicianos, que ao mesmo tempo almejam cargos políticos para expandir o poder”, afirmou o delegado Giniton Morais, titular da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense.

A expansão da milícia conhecida como Liga da Justiça, que até o final do ano passado atuava somente na Zona Oeste, é uma das principais razões apontadas pela matança. As milícias são grupos armados formados por policiais civis e militares, da ativa ou aposentados, bombeiros, militares e civis. Surgiram com o a justificativa de proteger bairros desprovidos de policiamento, mas logo passaram a explorar economicamente os moradores.

De acordo com o delegado, seis mortes estão ligadas a disputas entre milicianos, sendo que três delas teriam sido ordenadas pelo ex-traficante Carlos Alexandre Borges, 30 anos, o Carlinhos Três Pontes. A polícia estima que sua milícia tenha cerca de 5 mil pessoas.

A brutalidade dos crimes levou o procurador regional da República a solicitar a presença das Forças Armadas. “O intuito do pedido foi evitar que candidatos fossem impedidos de divulgar suas propagandas em áreas controladas por facções criminosas e que os eleitores fossem constrangidos a votar em determinados candidatos ou a não votar em outros”, afirmou Sidney Madruga. Além disso, o estado de calamidade pública decretado pelo estado contribui para isso e os homicídios contribuíram para a solicitação.

O número de militares enviados ao Rio não foi divulgado, mas serão 25 mil mobilizados em 15 estados. No Rio, a PM vai mobilizar 17 mil policiais no domingo (36% da tropa). O custo extra da União para a segurança no primeiro turno está estimada em R$ 23 milhões.

MORTOS - Substituição de candidatos

A votação no número dos candidatos mortos poderá ser anulada, de acordo com a diretora-geral do Tribunal Regional Eleitoral, Adriana Brandão. “Se a urna já está preparada, é possível que apareça a figura do candidato que acaba de falecer e que os votos sejam computados. Mas os votos dados a candidatos falecidos serão nulos, pois o registro já foi anulado”, disse. No entanto, alguns votos podem ser computados, se o partido trocou o candidato até dez dias após a morte do candidato. Foi o que o Partido Progressista fez.

Quem votar hoje no candidato Marco Vieira de Souza, o Falcon, por exemplo, poderá estar votando em Newton Diogo Peres Cavalcanti de Albuquerque. A foto, no entanto, que irá aparecer na urna é de Falcon. O pedido da substituição ainda está sendo avaliado. Conhecido como Dr. Newton, o candidato é médico e disputará a vaga para a Câmara Municipal com o número 11.001. Dr. Newton concorreu às eleições nos anos de 2012, para vereador, e, 2014, deputado estadual.

A morte de Falcon ainda não tem uma única linha de investigação definida pela polícia, que só tem uma única certeza: foi uma execução. Falcon foi morto na última segunda-feira, com quatro tiros de fuzil, dentro do seu comitê eleitoral em Oswaldo Cruz, na Zona Norte do Rio.

Relatos de brigas com outros dois candidatos e disputa de caça-níqueis são algumas das hipóteses levantadas pela polícia. Crime passional foi descartado após depoimento da viúva, Selminha Sorriso.

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Hoje, os eleitores escolherão novos prefeitos e vereadores em todo o país. Veja abaixo algumas de suas dúvidas sobre as eleições municipais.

1. Posso levar celular para cabine de votação?
Não. Celular e selfie na cabine estão proibidos. Os eleitores também não poderão portar máquinas fotográficas, filmadoras ou qualquer equipamento que coloque sob suspeita o sigilo do voto.

2. O que acontece se eu não votar?
Você deve justificar sua ausência. Se não o fizer ou se a justificativa não for aceita pelo juiz eleitoral, deverá pagar multa de R$ 3,51. O eleitor que deixar de votar em três turnos consecutivos terá seu título cancelado.
A justificativa pode ser feita no mesmo dia e horário das eleições, em ambos os turnos, quando o eleitor está fora da cidade onde vota.

3. Se eu não votar no primeiro turno, poderei votar normalmente no segundo turno?
Sim, são eleições independentes.

4. Quais documentos devo levar para poder votar?
Você deve levar um documento de identificação com foto. Também é importante levar o título de eleitor. Apesar de não obrigatório, ele possui o número da seção eleitoral, facilitando a identificação da sala de votação.

5. Posso votar se estiver em outra cidade ou estado?
O voto em trânsito é permitido apenas para os cargos de presidente e vice-presidente e ocorre nas capitais e em municípios com mais de 200 mil eleitores.

6. Como é o voto de legenda?
O chamado voto de legenda é atribuído a determinado partido. Na votação proporcional (deputados e vereador), o eleitor aperta apenas as teclas referentes ao número da legenda e confirma.

7. Posso levar "cola" para votar?
Sim. É possível levar anotados os números dos candidatos para facilitar a votação. Candidatos a prefeito têm dois números e a vereador têm cinco.

8. Como vou saber onde votar?
Consulte pelo site do TRE seu local de votação.

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