Por gabriela.mattos

Rio - Os candidatos Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (Psol) vão disputar o segundo turno na eleição para a Prefeitura do Rio, no dia 30 de outubro. No primeiro turno, que ocorreu neste domingo, o candidato do PRB registrou 27,7%, com 842.085 votos válidos, enquanto o do Psol, 18,3% com 553.315 votos. 

Pesquisa de boca de urna apontou Marcelo Crivella e Marcelo Freixo no segundo turnoAg News / Agência O DIA

Em terceiro lugar, ficou Pedro Paulo Carvalho (PMDB), que registrou 16%, com 487.994 votos válidos, seguido de Flávio Bolsonaro (PSC), com 13,9% e 423.004 votos válidos. Em quinto lugar, Indio da Costa (PSB) teve 9%, com 271.978 votos válidos, empatado tecnicamente com Carlos Osorio (PSDB), com 261.128.

Em seguida, aparece Jandira Feghali (PcdoB), 100.991 votos válidos, o que equivale a 3% do total. Alessandro Molon (Rede) também ficou empatado tecnicamente com Carmen Migueles (Novo), com 1%. Ele teve 43.362 votos válidos, enquanto ela contabilizou 38.461 votos. Já Cyro Garcia e Thelma Bastos ficaram com menos de 1% — 5.757 votos contra 1.413.

O número de abstenções no primeiro turno foi alto no Rio: 1.188.994 eleitores não compareceram (24%). Do total, 12% votaram nulo — 473.210 pessoas. De acordo com a contagem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 5% votaram em branco (204.078 votos válidos).

Após a votação, Crivella afirmou que vai procurar alguns partidos, principalmente aqueles que se destacaram na votação deste domingo, para fazer alianças para o segundo turno. "Estou muito feliz, alegre, satisfeito. Parabenizo os demais candidatos e o [Marcelo] Freixo. Vou falar com as forças políticas. Chegou a hora de cuidar das pessoas. O PMDB precisa entender que é necessário reciclar", destacou o candidato do PRB.

Milhares de militantes do Psol se reuniram na Lapa para assistir à apuração na noite deste domingo. Momentos antes de acabar a contagem dos votos, Freixo foi até o local para comemorar o segundo turno. Durante o discurso, o candidato lembrou ainda da derrota de Pedro Paulo, que estava empatado tecnicamente com ele nas pesquisas de intenção de votos. 

"Eu tenho muito orgulho de estar aqui ao lado de cada um. A nossa militância é de base, de rua, que fez um programa de cidade. Por isso, derrotou a era PMDB no Rio. Não foi uma militância fria, mas acalorada. Não é porque não fizemos alianças, que não tivemos voz. As alianças certas que nos levaram ao segundo turno", destacou o candidato do Psol, que reforçou que Jandira vai apoiar a sua candidatura. Por meio do Facebook, Molon já declarou apoio a Freixo.

Conheça os candidatos 

O senador Marcelo Crivella concorre pela terceira vez à prefeitura carioca. Engenheiro civil, com pós-graduação na Universidade de Pretoria, em Johannesburgo, África do Sul, também concorreu ao governo estadual em 2006 e 2014. Começou a trabalhar aos 14 anos como auxiliar de escritório e foi taxista. Ficou oito anos no Exército, foi professor universitário e servidor público.

Com 59 anos, Crivella nasceu na capital fluminense e é filho único. Em 2002, foi eleito para o Senado com mais de 3 milhões de votos. Foi reeleito para o período 2011 a 2019. Foi ministro da Pesca e Aquicultura no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Casado com Sylvia Jane há 36 anos, é pai de três filhos e tem dois netos. 

Já o deputado estadual Marcelo Freixo concorre pela segunda vez à Prefeitura do Rio, dessa vez pela coligação "Mudar é Possível" (Psol-PCB). Com 49 anos, Freixo nasceu em Niterói, foi professor de história e atuou durante duas décadas como ativista de direitos humanos. Foi voluntário no projeto de prevenção de HIV e aids nas prisões do estado em 1995 e 1996, coordenou projetos educativos no sistema penitenciário e fiscalizou presídios para garantir direitos dos presos até 2004.

Foi filiado ao PT de 1986 a 2005, quando filiou-se ao então recém-criado PSOL, onde elegeu-se deputado estadual, em 2006. Freixo ganhou visibilidade na imprensa quando presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito das Milícias, em 2007, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que investigou a ligação de parlamentares com grupos paramilitares e indiciou 225 pessoas.

Em 2010, Freixo se reelegeu como segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro e, novamente, em 2014, tendo sido o mais votado do país. É o atual presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj.

PMDB é o grande derrotado

O PMDB tinha o maior tempo de televisão na propaganda eleitoral: 3 minutos e meio. Sua coligação era a que aglomerava mais legendas: quinze. A campanha do candidato Pedro Paulo Carvalho foi a que mais arrecadou dinheiro em todo o Brasil: R$ 9 milhões. A Olimpíada, um sucesso alardeado pelo prefeito Eduardo Paes. Apesar da conjunção de fatores, o partido sucumbiu no primeiro turno e verá a prefeitura trocar de mãos após oito anos no comando. Mais que isso: ambos os candidatos que passaram ao segundo turno — Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (Psol) — fizeram da crítica ao PMDB seus principais trunfos eleitorais.

Denúncias de corrupção envolvendo o partido e a atual situação do governo estadual — que decretou estado de calamidade pública — transformaram Pedro Paulo em presa fácil e preferencial. A acusação de agressão à ex-mulher foi a cereja no bolo dos adversários — o arquivamento no Supremo Tribunal Federal se mostrou insuficiente para estancar a sangria.

Como se não bastasse, o PMDB viu sua bancada na Câmara Municipal encolher de 18 para 10 vereadores. Não restam dúvidas de que o partido foi o que mais perdeu após a apuração das urnas ontem. Com relação à disputa para o Governo do Estado, em 2018, peemedebistas admitem: o alerta vermelho está mais que aceso.

Com Paulo Cappelli e informações da Agência Brasil

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