Por gabriela.mattos

Rio - A cúpula do Psol no Rio de Janeiro passou a segunda-feira não apenas fazendo contas de quantos votos Marcelo Freixo precisará para superar Marcelo Crivella (PRB) no segundo turno, mas também de quanto precisará arrecadar para levar a campanha para rua até o dia 30 de outubro.

“A gente fez as contas para uma campanha com 11 segundos na TV. Agora teremos 10 minutos. Isso custa caro, mas a gente confia numa maneira diferente de fazer política, através do financiamento colaborativo no meu site, que foi o que nos possibilitou fazer a campanha no primeiro turno”, disse Freixo.

Na primeira eleição com a proibição do financiamento empresarial de campanhas, o Sol bateu um recorde com mais de 6.300 doadores individuais que depositaram R$ 752 mil na conta da campanha. O partido, no entanto, precisa arrecadar pelo menos mais R$ 300 mil para totalizar cerca de R$ 1 milhão.

“É o nosso planejamento. Contamos com isso. E a gente vai conseguir. Vai ser desse jeito”, disse Freixo.

Em busca de apoios para o 2º turno

Um dia após o resultado do primeiro turno das eleições, os candidatos a prefeito do Rio Crivella e  Freixo, que continuarão na disputa, passaram a segunda-feira chuvosa em reuniões para definir estratégias e apoios no segundo turno, cuja votação está marcada para dia 30 de outubro.

Marcelo FreixoCaio Barbosa / Agência O Dia

Crivella, que teve 27% dos votos, vai buscar, num primeiro momento, o eleitorado de Flávio Bolsonaro (PSC), que conquistou 14% do eleitorado carioca e tem mais afinidades ideológicas com seu projeto. Em seu perfil das redes sociais, Bolsonaro adotou o lema Fora Freixo, deixando claro o lado que tomará a partir de agora.

“Vamos procurar não apenas o Bolsonaro, mas o Indio (PSD), o Osório (PSDB) e vereadores do PMDB também”, admitiu Crivella, que logo após a apuração havia dito que descartaria uma aproximação com o partido de Eduardo Paes e Pedro Paulo.

Marcelo Freixo, que teve 18% dos votos, vem recebendo apoios desde o fim da apuração. Os candidatos Alessandro Molon (Rede) e Jandira Feghali (PCdoB) que juntos tiveram 4,77% dos votos, já declararam apoio ao psolista, bem como o PT, através do senador Lindberg Farias.

A direção nacional do PSB também declarou apoio a Freixo. No entanto, o principal nome do partido no estado, o senador Romário, está em campanha com Marcelo Crivella desde o primeiro turno. A executiva do partido espera contar com o apoio do Psol em Niterói, onde o candidato Felipe Peixoto (PSB) enfrenta Rodrigo Neves (PV), no segundo turno, e sobretudo, em Petrópolis, onde Rubens Bomtempo (PSB) briga pela reeleição contra Bernardo Rossi (PMDB).

Assim como Crivella, Freixo também quer os votos dos eleitores de Osorio, Indio, Bolsonaro e até Pedro Paulo, mas uma aliança com PMDB e PSC foi novamente descartada. O candidato do Psol mira, ainda, os 42% de cariocas que se optaram por não votar em nenhum candidato.

“Nós temos um programa de governo que foi construído ouvindo a população. E podemos ouvir os demais candidatos, sim, claro. Não há problema nisso. Mas segundo turno são dois programas colocados. O eleitor tem que analisar os dois, vetar um e votar no outro”, disse Marcelo Freixo.

Em cima do muro

A chance de Crivella ou Freixo conquistarem o apoio oficial de Indio da Costa e Carlos Osório é pequena. Eles devem optar pela neutralidade neste segundo turno. Juntos, eles tiveram 17% dos votos no último domingo. Indio não quis dar entrevistas ontem, enquanto Osorio informou que o PSDB se posicionará oficialmente nos próximos dias.

“Particularmente, por ter um programa diferente das duas candidaturas, acho que devemos dar ao eleitor a opção de cada decidir qual é melhor para si. Eu farei uma oposição, mas responsável, a quem vencer”, anunciou.

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