Comandante criticado por prisão de Rene Silva foi premiado na véspera da ação

Agente recebeu o título de 'Comandante de UPP Revelação', em votação feita entre policiais que atuam em unidades pacificadoras

Por O Dia

Rio - Na véspera de liderar a ação que resultou na prisão do jornalista Rene Silva, o major Leandro Zuma, comandante da 2ª UPP (Nova Brasília) /16ºBPM, recebeu uma medalha por seu trabalho pela paz. O agente recebeu o título de Comandante de UPP Revelação, em votação feita entre policiais que atuam em unidades pacificadoras, realizada pelo Instituto Mudando o Final. 

Rene foi detido enquanto cobriam a remoção da favelinha da Skol, no Complexo do Alemão, no sábado. Ele conta que os policiais arrancaram o celular de sua mão, o algemaram e o atingirem com spray de pimenta. 

"Esse tipo de prêmio deveria ser dado para um policial que não fere a liberdade de imprensa. Se a UPP quer respeito, eles precisam respeitar a comunidade", declarou. 
Essa não foi a primeira vez que a equipe comandada por Zuma é acusada de atrito com jornalistas comunitários. Carlos Cout, jornalista do 'Coletivo Papo Reto', conta que o grupo de agentes é conhecido na favela como 'bonde dos carecas' - quando estão nas ruas, os moradores alertam por WhatsApp que a "galera da perturbação está à solta". Ele diz ter ouvido ameaças como "vai sobrar uma bala perdida para você". 

No sábado em que Silva foi detido na 45ª DP (Complexo do Alemão), um grupo de comunicadores comunitários se reuniu em frente à delegacia, onde o grupo de agentes da UPP Nova Brasília também se encontrava. Quando voltaram ao local da ocupação na favelinha Skol, Cout foi atingido por dois tiros de bala de borracha, um na coxa e outro na costela. O policial que efetuou os disparos teria gritado "é você!". 
 
Mesmo correndo riscos, Cout garante não sentir medo. "Sou morador. Corria risco desde que nasci. Se for para morrer, que seja mudando alguma coisa, e não com uma bala perdida dentro de casa", afirmou. 

O Meu Rio reúne fotos e vídeos para uma denúncia ao Ministério Público. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) informou por meio de assessoria que "foi aberta uma averiguação para apurar todas essas denúncias".

?Reportagem da estagiária Alessandra Monnerat

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