Em debate morno, Crivella e Freixo criticam governo de Paes

Candidatos participaram do programa nesta sexta-feira na TV Band. Em alguns momentos, eles trocaram farpas

Por O Dia

Rio - Em debate morno, realizado na noite desta sexta-feira, na TV Band, Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (Psol) voltaram a criticar o governo do atual prefeito Eduardo Paes. Durante o programa, os candidatos à Prefeitura do Rio também trocaram farpas em alguns momentos. 

Um dos principais assuntos discutidos foi sobre a crise financeira. Crivella reforçou que é necessário diminuir os gastos com a máquina pública e garantiu que vai diminuir o número de secretarias. Ele lembrou ainda que o programa de governo de Freixo prevê a criação de empresa pública e duas secretarias. 

"É importante reduzir o custo da máquina, onde ocorrem desvios. É o que traz desiquilíbrio. Como vamos encontrar recursos para criar mais secretarias?", questionou Crivella.

Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (Psol) participaram do primeiro debate para o segundo turno das eleições municipaisErnesto Carriço / Agência O Dia

Em resposta, Freixo disse que o seu programa de governo é um "projeto de cidade". O candidato do Psol ressaltou ainda que cortar secretarias "não significa reduzir gastos". "O seu é muito curto e toca em poucos pontos. Em um momento de crise, não é ideal criar uma empresa pública neste primeiro momento. Você quer pegar uma secretaria de cultura em esporte e lazer, mas não acho isso uma boa ideia", atacou.

O candidato do Psol destacou que o custo da máquina pública pode ser reduzido ao estimular a produção agrícola na cidade. "Vamos criar um mercado municipal. Temos política. Nosso projeto tem transparência, eficácia e participação", completou.

Crivella discordou de Freixo e lembrou que o Rio é uma "área muito urbanizada". "É difícil imaginar que tenhamos uma produção agrícola que faça abaixar os preços dos alimentos. O ideal é reduzir os custos da máquina pública. Cortar as secretarias em excesso", enfatizou.

Defesa contra boatos

Durante o debate, Freixo se defendeu dos ataques recebidos por internautas nas redes sociais. O candidato enfatizou que há uma "chuva de calúnias" na web e pediu para Crivella desmentir tais afirmações publicadas por "aliados".

"Você tem partidos que protagonizaram grandes escândalos na política, como o petrolão. Mas você tem responsabilidade nisso? Claro que não", disse Crivella. "Na Internet, a gente pode desmentir cada mentira. Tenho opiniões divergentes do Freixo, mas preciso manter o respeito. Repudio qualquer tipo de infâmia, calúnia e mentira que possam nos atingir", acrescentou.

O candidato do Psol se defendeu e destacou que as campanhas feitas nas redes sociais foram "desrespeitosas e criminosas com a democracia". "Não fiz parte do governo do petrolão, mas você foi ministro", ironizou.

Segurança e transporte

Em relação à segurança, Freixo explicou que é necessário fazer uma ação preventiva com um mapa da violência por cada bairro e também criar ações sociais. "Não aceito que percamos essa juventude que estamos perdendo hoje. É muito sério. É preciso ter medidas sociais profundas. Queremos criar conselhos de moradores", completou.

Já Crivella reforçou que é preciso "cuidar das crianças entre zero e seis anos que vivem abaixo da linha da pobreza". "A Guarda Municipal e a PM podem trabalhar juntas", acrescentou ainda o candidato.

Questionado sobre o transporte público, Crivella disse que vai incluir a tarifa do metrô no Bilhete Único e que vai aumentar em mais uma hora o tempo do cartão. "Vamos ainda terminar com a Transbrasil, já que Paes deixou a obra parada", lembrou.

Freixo afirmou que vai cumprir o que o Tribunal de Contas da União (TCU) está definindo. "O TCU define R$ 3,30, houve um aumento além do contrato. Os empresários fazem o que querem", acrescentou. Ele prometeu ainda que vai acabar com a dupla função do cobrador de ônibus. "Isso só beneficia o empresário do ônibus", explicou.

Educação e Parada Gay 

Em relação à educação, Crivella afirmou que é necessário motivar os professores e que é preciso chamar os concursados. "Escolas são fundamentais na vida das crianças. Não vou construir novos colégios enquanto os que temos não funcionam", contou. 

Freixo atacou o adversário e disse que a bancada de Crivella "apoiou o ataque aos professores". O candidato do Psol ressaltou que a escola deve ser um espaço de cultura e reflexão. "O meu primeiro ato vai ser no dia seguinte da eleição. Vou chamar todos os educadores. A gente quer uma escola de transformação da vida e um plano de salários para os professores", explicou.

Outro ponto discutido no debate foi sobre a destinação de recursos da prefeitura para a Parada Gay. Crivella afirmou que o município pode ajudar ao oferecer segurança, vigilância e limpeza. "Prefiro cortar os recursos das secretarias, de cargos de confiança. Para defender a expressão democrática das minorias, a gente precisa ponderar muito antes de fazer qualquer tipo de corte", destacou.

Para Freixo, a Parada Gay é um importante "instrumento pedagógico de combate à intolerância". "É papel do poder público. Carnaval dá retorno em dinheiro e Parada Gay também", enfatizou o candidato do Psol.

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