Organizadores querem garantir apoio da prefeitura para o Carnaval de Rua

Crivella e Freixo anunciam suas propostas para a folia do ano que vem

Por O Dia

Rio - No Carnaval que passou, cerca de 5 milhões de cariocas e turistas foram atrás dos 505 blocos cadastrados na cidade. Quase 30 blocos ficaram de fora, não aprovados pela prefeitura. Segundo a Riotur, que desde 2009 dá suporte à festa popular, não cabem mais desfiles na Zona Sul e Centro. Mas afinal, é preciso limitar mais a quantidade de blocos? E a infraestrutura oferecida pelo município, será mantida? Estas são algumas das principais dúvidas de quem faz o Carnaval de Rua do Rio para 2017.

Foliões e organizadores dos blocos já se movimentam para receber o novo prefeito de braços abertos, mas com reivindicações nas mãos. A Associação Independente de Blocos de Rua do Centro, Zona Sul e Santa Tereza (Sebastiana) abre à população um debate sobre o tema no dia 5 para que até 15 de novembro um documento chegue às mãos do prefeito eleito. “Sabemos que o carnaval não é prioridade de governo, mas precisamos garantir o que já conquistamos, além de propor melhorias”, afirma Rita Fernandes, coordenadora da Sebastiana, destacando o apoio da Comlurb, Guarda e ambulâncias durante os desfiles.

Ouvidos pelo DIA, Marcelo Crivella e Marcelo Freixo garantiram apoio para o Carnaval de Rua. E que estão dispostos a ouvir quem faz a folia para entender melhor as necessidades. Crivella ainda anuncia a criação de um museu do Carnaval. Mas já prevê falta de recursos para isso. “Hoje, a situação financeira da prefeitura não permite que a gente fale em datas, mas podemos começar a desenhar o projeto. Como diria um grande samba da Mocidade: ‘Sonhar não custa nada, não se paga pra sonhar’”.

Segundo a prefeitura, o bloco Simpatia é Quase Amor arrastou cerca de 200 mil foliões por Ipanema durante seu desfile deste ano. Sem apoio financeiro, o bloco saiu sem alegorias no último carnaval de ruaKelly Duque / Arquivo

Ao lado de Crivella estão os jornalistas Aziz Filho e Ramiro Alves, diretores do Imprensa que eu Gamo, e Daniel Pereira, premiado compositor de marchinhas. Com Freixo, estão Ary Miranda, fundador do Simpatia é Quase Amor, e os compositores Thiago Prata e Manu da Cuíca.

Músico há 10 anos do Simpatia, Thomas Miranda reconhece a atenção do prefeito Eduardo Paes à necessidade de organizar os blocos, mas não aprova a forma como foi feita e espera maior reconhecimento pelos candidatos ao cargo. “A festa é um marco cultural da cidade e não turístico. A forma como as empresas de cerveja atuaram nas ruas acho que tem que ser repensada”, ressalta.

Há quem se apegue à origem da cultura do carnaval de rua, livre e espontânea, e prefere colocar o bloco na rua sem encarar a burocracia. São os blocos piratas, como o VamoET. Maycon Almeida, um dos fundadores, explica que já tentaram se legalizar, mas a política do governo, segundo ele, prioriza os grandes e coloca à margem os pequenos blocos. “A maioria dos blocos nasceu assim, reunião de amigos, com vontade de ter a rua como palco”, disse.

Marcelo Crivella: 'Eventos vão ocupar espaços do samba'

Meu compromisso é ouvir o mundo do samba na busca das melhores soluções para que o Carnaval gere cada vez mais alegria, emprego e renda. A prefeitura precisa manter a segurança, iluminação e limpeza das ruas. Com a mobilização das escolas, blocos e bandas, vamos ainda organizar eventos que ocupem os espaços do samba, com boa infraestrutura. O resto, a alegria do nosso povo faz. A prefeitura tem que ser parte da solução, ajudar a organizar a festa e deixar o espetáculo com quem entende.

Insisto em um calendário mais intenso de eventos, o que é importante para o setor turístico, para criar uma rotina. O Carnaval carioca é uma marca internacional do Rio e como tal deve ser tratada. Uma questão importante é a dos banheiros químicos e limpeza das ruas. Pretendemos fazer uma grande discussão com as entidades que representam os foliões. Para terminar, nosso sonho é fazer um grande Museu Interativo do Carnaval Carioca, que conte a história das escolas e dos blocos, passando pelos ranchos e as grandes sociedades.

Marcelo Freixo: 'Uma cervejaria não pode mandar na folia'

O Carnaval de Rua é a maior e mais democrática manifestação cultural da nossa cidade. Os blocos, que em sua maioria surgiram de forma espontânea, cumprem um papel fundamental ao levarem milhões de pessoas e promoverem os encontros nas ruas e praças do Rio de Janeiro.

A próxima prefeitura tem a obrigação de aumentar a estrutura para os mais de 500 blocos que atualmente desfilam em todos os bairros da cidade. Além disso, uma cervejaria não pode mandar no carnaval e dizer qual cerveja pode ser vendida, onde vai ter banheiro químico e estrutura para os blocos e nem monopolizar a cidade com o seu ‘azulão’ ou qualquer outra cor.

Vamos desburocratizar as regras para os desfiles e não colocaremos a Guarda Municipal para jogar bombas e gás de pimenta em cima dos foliões. E, acima de tudo, vamos sentar para ouvir e conversar com todas as associações e blocos.

?Colaboração de Caio Barbosa

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