Por gabriela.mattos

Rio - Desde domingo passado, quando Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (Psol) confirmaram presença no segundo turno, quem navega no mar agitado das redes sociais tem visto uma enxurrada de tentativas de desmoralizar os candidatos. Eleitores dos dois lados têm buscado, muito mais que discutir programas de governo, atrelar a imagem do adversário a questões polêmicas de sua trajetória — quase sempre incoerentes.

“Chama atenção a produção de boatos dos dois lados. No segundo turno, uma das principais estratégias é o ataque”, aponta Marcelo Alves, sócio-diretor da Vértice Inteligência, start up de coleta e análise de dados abrigada na Agência de Inovação da UFF. “Dizem que o Freixo vai implementar a ditadura comunista e dar apoio aos black blocs, e que o Crivella vai aparelhar o governo com bispos da Igreja Universal.”

Crivella faz sucesso com seguidores quando posta frases motivadoras de auto-ajuda. Freixo tem buscado desmentir boatos mostrando quem governará com ele, se for eleitoReprodução Internet

Como explica o pesquisador da UERJ João Guilherme dos Santos, o Facebook tem uma tendência à polarização por conta do seu sistema de algoritmos — fórmula que determina o que o internauta vai ver na rede social. “Você tende a ver publicações de pessoas com quem já concorda, o que serve para legitimar mais o seu argumento. Por isso, quando aparece alguém que discorda, a pessoa consegue se posicionar com mais confiança”, diz.

É baseado nisso que o sociólogo Marcelo Castañeda, também pesquisador da UERJ, vê o WhatsApp como a ferramenta mais abrangente para espalhar — e desmentir — boatos. “É muito usado porque penetra nas classes mais baixas, que decidem a eleição. Ele é um grande propagador de boatos”, comenta Castañeda, que também destaca o papel importante dos debates para esclarecer fofocas.

Análise da Vértice Inteligência mostra desempenho virtual dos candidatos na primeira semana de segundo turnoDivulgação

Com o intuito de desmentir o que vem sendo dito a seu respeito, Freixo seguiu o exemplo do que Crivella e Pedro Paulo (PMDB) fizeram no primeiro turno: criou o site “A verdade sobre Freixo”, que pretende explicar a realidade por trás de cada boato. E tem investido nas redes para divulgar, pouco a pouco, cada tópico separadamente. A fidelização do público-alvo no Facebook é apontada pelos especialistas como uma estratégia clara de Crivella, que costuma postar imagens, muito bem recebidas pelos seguidores, com frases de auto-ajuda. “São fáceis de compartilhar, as pessoas não pensam duas vezes. O Freixo faz publicações mais propositivas, que envolvem tomada de posição”, indica João Guilherme dos Santos.

Levantamento feito pela Vértice Inteligência na primeira semana de segundo turno mostra, no entanto, que Freixo saiu na frente no Facebook: na segunda-feira, chegou a 300 mil engajamentos, contando curtidas, compartilhamentos e comentários. Crivella não chegou a 50 mil em nenhum momento.

Reportagem do estagiário Caio Sartori

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