Ocorrências excêntricas no dia a dia do Centro

Policiais do programa Segurança Presente enfrentam delitos inusitados

Por O Dia

Rio - Pessoas passando mal após comerem brigadeiros com maconha; um bêbado dirigindo em zigue-zague pelos trilhos do VLT e um telefonista que, de manhã cedo, antes de subir para o escritório, de roupa social, assaltava pessoas com uma arma falsa. Essas são algumas das ocorrências inusitadas que os agentes dos programas Lapa e Centro Presente atenderam nos últimos dois meses, a bordo de 120 bicicletas.

“Na carreira policial a gente nunca sabe o que vai acontecer. A maioria das ocorrências são de roubos, que já conseguimos diminuir em 90%, mas há algumas inesquecíveis pela sua excentricidade”, afirmou o major Leonardo Laureano, comandante do programa na Lapa.

Uma dessas situações a qual o oficial se refere é a da noite do dia 17 de setembro. Duas pessoas se queixaram de tontura após comerem um doce com “um ingrediente mágico”, comprado de uma estrangeira próximo da escadaria Seláron.

“Encontramos quase 100 brigadeiros que tinham maconha misturada no chocolate. Eram vendidos por duas estrangeiras”, afirmou Laureano. “E, foi a terceira vez que pegamos os tais ‘doces mágicos’”, contou, rindo.

Segundo o policial, a forma de atuar dos agentes, identificados com coletes e em bicicletas, cria uma maior proximidade com a população.

Ocorrências excêntricas no dia a dia do CentroArte O Dia

O Lapa Presente foi o primeiro programa da chamada “Segurança Presente”, que teve início em 2014. Financiada pela Fecomércio, pela Prefeitura e pelo governo estadual, atua também no Aterro, Lagoa, Méier e possui investimento de cerca de R$ 50 milhões.

A mais recente expansão do programa ocorreu em três áreas do Centro e teve início no dia 2 de julho. Logo no primeiro dia, uma colombiana foi presa tentando comprar um eletrodoméstico com uma nota de 100 dólares falsa.

No dia 7 de julho, uma mulher procurou os policiais dizendo ter sido quase assaltada por um homem que usava roupa social, na avenida Presidente Vargas. Ela ainda o seguiu e o observou entrando em um prédio comercial. “Vimos imagens da câmera e, com auxílio do Recursos Humanos da empresa, localizamos uma arma falsa na gaveta do telefonista”, afirmou um dos agentes.

Já em setembro, um homem foi preso de madrugada, após dirigir na contramão do VLT. “Aparentemente consumiu bebida alcoólica”, diz o registro de ocorrência realizado na 5ºDP (Mem de Sá). Ele foi preso e autuado por dirigir embriagado.

Tolerância zero

Para o secretário Municipal de Ordem Pública, que é também capitão da PM, Leandro Matielli, as operações podem ser comparadas com a famosa política da “Tolerância Zero”, implementada em Nova York no início de 1990. “A ideia era combater crimes de menor potencial ofensivo para diminuir também os crimes de maior gravidade. Assim, não eram toleradas nem pichações”, disse.

Um caso emblemático, segundo o secretário, é a prisão no Rio de um assassino de um policial a partir da checagem de sua identidade quando ele jogou uma guimba de cigarro no chão. “Agentes do Lixo Zero foram multá-lo após ele jogar o cigarro na rua. Quando pediram a sua identidade para a aplicação da multa, constataram que havia um mandado de prisão pendente por homicídio”, relatou.

Outra similaridade com o programa da cidade americana é a revitalização da região portuária. “A Tolerância Zero traz um pouco da Teoria da Janela Quebrada, que relaciona a desordem como um fator de elevação dos índices de criminalidade. Assim, podemos ver que o trabalho integrado da prefeitura e da polícia consegue mostrar resultados significativos”, afirmou.

Desenvolvida por criminalistas americanos na década de 1980, a teoria diz que uma janela com vidro quebrado, mesmo em um lugar com índices de violência baixos, acarreta a sensação para a população de que o local não tem policiamento. Desde o início do Centro Presente foram efetuadas 956 prisões.

Últimas de Rio De Janeiro