Dia das Crianças: Voluntários doam brinquedos em várias partes do Rio

Já no Morro do Pinto, Zona Portuária, conflito entre traficantes leva ONG a cancelar evento

Por O Dia

Rio - Uma das tradições do Dia das Crianças, receber presentes nem sempre está ao alcance de todos. É o caso do comerciante Laerte Pimental, que ao crescer com 17 irmãos, nunca teve a oportunidade de ter brinquedos. Conhecido como Baixinho, hoje ele coopera com o projeto Ser Humano é Legal, que atende a cerca de 200 crianças de comunidades de Campo Grande, na Zona Oeste. O fundador da iniciativa, André Xavier, vai coordenar a distribuição de brinquedos hoje, pela segunda vez, na Estrada de Inhoaíba.

“O Laerte é um comerciante à moda antiga, aquele cara de confiança do bairro. Ele não gosta de divulgar o nome dele. Faz isso por amor mesmo, porque colocou no coração dele que no dia em que ele tivesse condições ele ajudaria as crianças. Por isso ele se juntou nessa corrente do bem”, explica André.

No Parque das Missões%2C em Caxias%2C distribuição é feita há oito anosReprodução Facebook

O auditor de sistemas Márcio Migowski vai continuar, pelo 17º ano, a tradição de distribuir presentes que começou com seus pais. Morador da Tijuca, ele volta ao seu bairro natal, o Colégio, na Zona Norte, para doar mais de 400 brinquedos em uma festa no centro umbandista Cantinho de Cosme e Damião. Márcio conta com a ajuda de mais de 60 voluntários que, além de presentes, dão bolsas de alimentos.

“São pessoas de todas as religiões que querem fazer um Dia das Crianças mais feliz para crianças carentes, que não têm como receber outro brinquedo. Começamos a recolher as doações em junho”, conta Márcio.

Já Fabbiana da Silva, coordenadora do ONG Apadrinhe um Sorriso, está coletando brinquedos desde agosto. Há oito anos, ela fundou a instituição para atender a comunidade onde mora, o Parque das Missões, em Duque de Caxias. No início, a ONG era composta por 13 amigos de Fabbiana, que ajudavam 63 crianças. Hoje, já são 690 voluntários em uma rede que beneficia 852 crianças.

“Eu trabalho e só posso fazer isso nos fins de semana. Ocupa todo o meu tempo livre, mas vale muito a pena. O Parque das Missões é um dos lugares mais abandonados de Caxias, sem nenhum saneamento básico. Com esse projeto, você possibilita que as crianças vejam outra realidade”, disse Fabbiana.

Ação barrada pela violência

No Morro do Pinto, na Zona Portuária, a festa do Dia das Crianças teve que ser interrompida por causa da violência. Pela primeira vez, o coletivo I Love MP e a produtora Humanize Produções iriam distribuir cerca de 70 brinquedos para as crianças da comunidade. Mas o evento teve que ser cancelado devido a conflitos armados entre policiais e traficantes na região.

“O sentimento é de frustração, não por nós, mas pelos moradores”, declara Bia Ribeiro, produtora da Humanize. “Não vamos parar de atuar lá, mas tivemos um sentimento de autopreservação”, completa.Para que as crianças não fiquem sem brinquedos, os organizadores repassaram as doações recolhidas para a administração do Parque Machado de Assis, também do Morro do Pinto, que fará a entrega hoje. No entanto, Bia lamenta não poder fazer a festa com apresentações teatrais e outras atrações, como previsto. “Nossa vontade era estar lá, participando, com a mão na massa”, diz.

?Reportagem da estagiária Alessandra Monnerat

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