Três nomes são cotados para assumir lugar do chefe da Polícia Civil

Decisão ficará para o novo secretário Roberto Sá. Pezão quer manter projeto da UPP

Por O Dia

Rio - Ao anunciar ontem que deixará a Chefia da Polícia Civil, o delegado Fernando Veloso abriu uma série de especulações a respeito de quem vai ser o novo ‘xerife’ do Rio. A decisão caberá ao novo secretário de Segurança Pública, Antonio Roberto Sá , e deverá ser anunciada segunda-feira, quando assume a pasta. Há três nomes cotados para assumir o posto máximo da Polícia Civil: Rodrigo Oliveira, atual chefe da Coordenadoria de Recursos Especiais; Fernando Albuquerque, subchefe operacional de Veloso; e Ronaldo Oliveira, chefe do Departamento das Polícias Especializadas.

O nome de Albuquerque seria a escolha de José Mariano Beltrame para a sucessão e já vem sendo especulado desde que Veloso avisou que iria sair. Indagado, Veloso disse que “seria deselegante comentar isso”. Mas deu a entender que aprovava a possível escolha. “O Beltrame indicou o ‘número 2’ dele para o cargo (Roberto Sá). Seria natural que minha indicação fosse alguém que já conheça de perto o trabalho desenvolvido”, disse o delegado.

Com o anúncio da saída do secretário de Segurança, na segunda-feira, Veloso deixou o cargo à disposição. “Já queria sair desde o ano passado, por cansaço também”, disse ele, que estava na subchefia operacional antes de assumir o cargo que ainda ocupa. “Mas o Beltrame me pediu para ficar até o final da Olimpíada. Tinha dito que meu prazo máximo era até o final do ano. Não faz sentido eu começar em outra gestão que não vou terminar”.

O governador licenciado Luiz Fernando Pezão enfatizou, ontem, que a saída de Beltrame não representa o fim do programa de pacificação. “O que preciso fazer, vou fazer. Vou solidificar o projeto das UPPs”, disse. E elogiou o novo secretário: “O Roberto Sá também terá autonomia total para montar sua equipe. Ele é superpreparado, conhece muito bem as polícias”.

Na subchefia operacional, Fernando Albuquerque, sucessor natural de Veloso, organizou o policiamento de grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014, Rock in Rio 2015 e Rio 2016. Também foi o responsável por estreitar as relações com o Judiciário, auxiliando na implementação da audiência de custódia. Ele também transformou o Núcleo de Combate à Corrupção em Coordenadoria de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro, subordinado à pasta. Ainda que seja bem visto por Beltrame, Albuquerque não é o preferido de Roberto Sá, segundo pessoas próximas a ele.

Para o novo secretário, que é caveira do Bope, ter Rodrigo Oliveira como chefe de Polícia é um desejo antigo, já que ele atua na tropa de elite da Polícia Civil. Ronaldo Oliveira também é bem visto por ter perfil proativo, respeito na instituição e por ter começado como agente. Em 2002, coordenou a investigação que prendeu o traficante Elias Maluco, executor do jornalista Tim Lopes. Em 2007, reduziu o roubo de carros no estado à frente da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis. Sua esposa, a delegada Inamara Costa, é assessora especial de Sá. Caso a escolha seja por Rodrigo na Chefia, Ronaldo será o provável novo subchefe Operacional.

Outras mudanças deverão ocorrer dentro da Secretaria de Segurança, com a nomeação de novos subsecretários. O único que tem cargo garantido na nova gestão é Roberto Alzir, de Grandes Eventos, gestor com quem Sá possui afinidade.

Veloso queria investigar mortes em operações

Nos três anos de sua gestão, Fernando Veloso criou a Central de Garantias na Zona Norte e determinou que as Divisões de Homicídios investigassem as mortes ocorridas em operações policiais. Também criou uma central de reclamações para a população. Sai da pasta deixando projetos em andamento. “Estava trabalhando em um núcleo separado para atender vítimas vulneráveis, com mulheres e crianças. Também trabalhava na criação da Central de Garantias, no Centro do Rio”, disse.

Neste ano, Veloso exonerou o delegado Alessandro Thiers após suas declarações sobre o estupro coletivo de uma adolescente no Morro do Barão, na Praça Seca. O governador em exercício, Francisco Dornelles, disse que a saída de Veloso era esperada. “O Pezão já tinha me avisado que assim que o Beltrame saísse, o Veloso também iria sair”, declarou.

Na Era Beltrame, PM teve sete comandantes 

Ainda ontem, temendo uma debandada antes mesmo de assumir, o futuro secretário de Segurança Roberto Sá entrou em contato com o comandante-geral da Polícia Militar, Edison Duarte, e pediu que ele ficasse. Duarte assumiu no início do ano. O rodízio de comandantes da PM na Era Beltrame foi intenso: sete em quase uma década em que permaneceu no cargo.

O primeiro foi o coronel Ubiratan Angelo, que ocupou o posto por um ano. Foi substituído pelo coronel Gilson Pitta, que se manteve durante um ano e meio até ser trocado pelo coronel Mário Sérgio, o recordista na gestão de Beltrame: três anos e dois meses no comando. No lugar dele, assumiu o coronel Erir Ribeiro, que se sustentou no cargo por um ano e 10 meses. Na sequência, veio o coronel José Luís de Castro Menezes ( um ano e três meses) e o coronel Pinheiro Neto ( um ano).

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