Quiosques do Rio em risco

Estruturas têm sinais de corrosão e ferrugem. ‘Manutenção é fundamental’, diz Crea

Por O Dia

Rio - No dia seguinte ao desabamento de um quiosque que deixou cinco pessoas feridas na Praia de Copacabana, a equipe do DIA percorreu quiosques da orla de Copacabana e Leme e observou diversas estruturas enferrujadas, algumas de forma bastante grosseira. Frequentadores da praia estão impressionados com as condições de funcionamento de alguns, além do medo de que um novo acidente aconteça.

A concessionária Orla Rio, no entanto, começou ontem uma vistoria nos 63 quiosques do trecho Leme-Copacabana. Até a próxima quinta-feira a empresa vai entregar um laudo técnico à prefeitura, que vai determinar as medidas a serem adotadas.

Um homem%2C que se identificou como funcionário da Orla Rio%2C fazia reparos na estrutura de um dos quiosques no Leme. A concessionária iniciou ontem a vistoria nos quiosquesAlexandre Brum / Agência O Dia

De folga no dia do acidente, o atendente que trabalhava no quiosque que desabou, José Carlos Junior, 28, contou que a cobertura já dava sinais de que precisava de manutenção. “No vendaval do início do ano, a tampa de ferro que segura a lona de uma das barracas voou e quase atingiu uma criança no calçadão. Fico apreensivo de trabalhar aqui, mas preciso”, contou.

Vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ), o engenheiro civil José Schipper explica que a estrutura metálica usada nos quiosques exige reparo de quatro em quatro anos. Ele não considera a ação do vento como causa do acidente, mas não descarta erro de projeto.

Quiosque cuja cobertura desabou na quinta está interditado. Uma das cinco vítimas feridas foi operada%2C permanece internada e passa bem Alexandre Brum / Agência O Dia

“Não importa o tipo de material, a manutenção é fundamental. O ar marinho (maresia) afeta, inclusive, estruturas de concreto. Isso (o acidente) foi, provavelmente, falha de manutenção ou de execução da obra”, disse. Ele também não descarta erro de projeto, mas é preciso avaliar. “Não posso afirmar que as pessoas correm risco ao frequentar os outros quiosques da orla, mas o ar marinho é um agente que não pode ser ignorado”, afirmou.

A empresa responsável pelo projeto dos quiosques é a Indio da Costa A.U.D.T., que pertence à família do ex-candidato do PSD à Prefeitura do Rio, Índio da Costa. Procurada, a empresa não retornou contato para comentar o caso.

A Orla Rio informou que nunca houve problemas com as coberturas dos novos quiosques, mesmo com os fortes ventos registrados em maio e agosto deste ano e até quando um caminhão se chocou contra um quiosque (QC-46) durante a Olimpíada.

O quiosque que desabou na quinta-feira%2C no Posto 6%2C na altura da Rua Figueiredo Magalhães%2C em Copa%2C apresentava ferrugem aparente nas estruturas metálicas de sustentaçãoAlexandre Brum / Agência O Dia

Sobre as ferrugens observadas, a concessionária esclarece que as estruturas são feitas de aço corten (SAC-50), “que possui resistência à oxidação, em média, três vezes maior do que a do aço comum”. A questão do aparecimento da ferrugem “é uma ação natural do aço para proteger as partes internas contra a corrosão”, e que a pintura é apenas uma questão estética, que em nada interfere na qualidade do material.

SOS postos de salvamento

Além dos quiosques, a Orla Rio é responsável pela manutenção dos 27 postos de salvamento que funcionam nas praias cariocas. Em julho de 2015, um desses postos explodiu e deixou dois bombeiros com queimaduras pelo corpo em Copacabana. Dois meses após o acidente, o laudo sobre as causas ainda não havia sido concluído.

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil não forneceu detalhes do caso.
Presidente da Associação S.O.S Bombeiros do Rio, Erlon Alves conta que o diálogo com a Orla Rio continua bastante difícil. No final de 2014, ele, junto a outros bombeiros, compraram vidros e pagaram a instalação com dinheiro do próprio bolso para ter o mínimo de segurança e asseio nos postos.

“Tenho notas que provam os gastos. Eles ajudam, mas ainda está aquém da realidade. Tem posto sem luz e sem porta. A gente não podia nem comer no posto porque entrava areia da praia”. A Orla Rio informa que vem promovendo melhorias diante das vistorias realizadas nos postos. Sobre os gastos com os vidros, a empresa afirma que reembolsou o valor aos bombeiros.