Artista plástica fala de emoção ao recuperar estátua de Nossa senhora Aparecida

Maria Helena Chartuni fez restauro de imagem da santa em detalhes 38 anos depois de atentado

Por O Dia

Maria Helena em 1978%3A quase 200 pedaços da santa juntados em 33 diasDivulgação / Editora Santuário

Rio - Desde que foi descoberta por pescadores no Rio Paraíba do Sul, em 1717, a pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, é motivo de mistérios. Há quase 300 anos, a pequena estatueta foi encontrada quebrada em duas partes — a cabeça estava a dezenas de metros do corpo. E há 38 anos sofreu um atentado em que se espatifou completamente.

Coube à artista plástica Maria Helena Chartunia, de 73 anos, a missão de juntar os quase 200 caquinhos em que se transformaram a imagem mais querida e venerada pelos católicos brasileiros. No livro ‘A história de dois restauros’, lançado pela Editora Santuário e que já vendeu mais de 100 mil exemplares, ela conta detalhes do trabalho, que durou 33 dias.

“Recebi a imagem completamente destruída, exceto as mãos postas, que, milagrosamente, nada sofreram”, lembra Maria Helena, que reconstruiu a imagem no Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde trabalhava. “Para evitar especulações, a Igreja divulgou a falsa notícia de que a santa, que pesa pouco mais de 2,5 quilos, tinha ido para Roma para ser recuperada”, lembra.

Maria Helena conta que “não se deu ao luxo de sentir emoções” durante o restauro. “Era como um médico operando. Já tinha restaurado obras de Tarsila do Amaral, Monet, Portinari, Di Cavalcanti”, relembra. Mas a artista não conteve a emoção quando imagem foi reconduzida à Aparecida num carro de bombeiros. “A Via Dutra parou.

Caminhoneiros subiam na traseira dos caminhões. A emoção me fez mudar radicalmente de vida”, diz ela, de família católica, mas que passou a não ligar para as coisas divinas desde a juventude. “Nossa Senhora me fez trilhar novamente nos caminhos da fé. Por isso digo que minha alma também foi restaurada, o que explica o título do livro”, detalha.

O atentado que ‘vitimou’ a imagem ocorreu numa missa em Aparecida (SP) na noite de 16 de maio de 1978, quando Rogério Marcos de Oliveira, 19, deficiente mental, conseguiu alcançar a estátua de 36 centímetros de altura no cofre com a frente de vidro. Ao correr de um guarda, ele deixou a imagem cair e se espatifar. Atualmente, a Santa fica em exposição em um nicho de ouro no Santuário Nacional de Aparecida, protegido por forte esquema de segurança, que inclui câmeras, alarmes e vidro à prova de bala. Dali, ponto principal de peregrinação do templo, ela não sai mais há anos. Somente uma réplica idêntica roda o país.

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