Idosa é a 471ª em fila de cirurgia de hospital federal

Família de Nova Iguaçu luta na Justiça para assegurar direito de aposentada ser atendida no SUS. Ela precisa ser operada nos joelhos para voltar a andar

Por O Dia

Rio - Pacientes graves, que precisam de cirurgias ortopédicas urgentes, estão esperando até mais de seis anos por socorro médico no estado, sem que obtenham êxito. É o caso da costureira Maria Sena Nascimento, de 73 anos, de Nova Iguaçu. Ela está no 471º lugar de uma fila no Hospital Federal de Ipanema para operar os joelhos, devido a gonartrose, um tipo de artrose, de caráter inflamatório e degenerativo, que provoca a destruição da cartilagem articular, causa deformidades das articulações e fortes dores.

Em consequência disso, Maria Sena fica acamada a maior parte do tempo. Só no ano passado, 13 mil pessoas aguardavam por operações ortopédicas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, somente no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).

“Estou apavorada. A dor intensa e a agonia por estar ficando aleijada têm me levado ao desespero”, desabafa Maria Sena. “Já buscamos ajuda em hospitais em Vassouras, em Além Paraíba (MG) e no Into, e nada. Estou vendo minha mãe definhando e sofrendo mais a cada dia”, lamenta Isaac, filho de Maria Sena.

Maria precisa operar os joelhos%2C devido a um tipo de artrose%2C de caráter inflamatório e degenerativoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Hoje, o advogado da família, Eduardo de Oliveira, entra com recurso contra decisão do juiz da 2ª Juizado Especial Federal de Nova Iguaçu, Washington de Brito Filho. Mesmo com parecer do perito judicial Alexandre Barbosa, atestando a gravidade da doença de Maria Sena e informando que a cirurgia é a “única maneira de sanar o quadro doloroso progressivo e a reabilidação de suas atividades normais”, ele negou pedido para que ela fosse operada em caráter de emergência. “Espero que a Justiça reveja essa decisão. Prestar socorro imediato a uma idosa que sofre há seis anos é questão, acima de tudo, de humanidade”, afirma o advogado.

Em seus despacho, o juiz Whashington de Brito Filho escreveu que entende que “de um lado há o inegável direito da autora (Maria Sena) à saúde, à integridade física e, em última análise, até mesmo à vida. No entanto, de outro, há semelhantes direitos pertencentes a outras 470 pessoas, as quais se encontram à frente na fila de espera para a realização da mesma cirugia”. Mais à frente, ressaltou: “No caso em tela, a parte autora não trouxe aos autos elementos capazes de demonstrar o risco iminente de perigo de morte”.

Contatada no início da noite pela reportagem de o DIA, a assessoria de imprensa do Hospital Federal de Ipanema informou que verificará a situação envolvendo Maria Sena e deve se pronunciar hoje sobre o caso.

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