Por gabriela.mattos

Rio - Jorge Luiz Laranjeiras Trindade, de 42 anos, foi resgatado da rua. Comovidos com a situação do funcionário da Faetec, que por não receber há cinco meses passou a dormir na calçada, como O DIA mostrou ontem, funcionários do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj) da Tijuca o acolheram.

“A diretora arrumou um cantinho para ele dormir até essa situação se resolver”, contou um servidor do Iserj. Prestador de serviço à Faetec há 12 anos, como encarregado de serviços gerais, Jorge está lotado no Iserj, mas foi posto de férias sem remuneração. Ele morava desde terça-feira em frente à sede da Faetec, em Quintino.

Jorge agora recuperou parte da dignidade. Mas continua sendo humilhado pelos patrões. Funcionário da Atrio Rio Service, a empresa terceirizada que abocanha a maior parte dos contratos do governo do estado, ele continua sem saber quando vai receber seu salário, de R$ 1,2 mil.

Procurada pelo DIA, a Atrio Rio Service não quis se manifestar. A falta de repasse do estado tem sido a alegação da terceirizada para não honrar seus compromissos com os empregados. Entretanto, isso é ilegal, já que uma cláusula no contrato proíbe essa prática.

Em nota sobre o atraso no pagamento dos salários dos funcionários das terceirizadas, a Faetec afirma que “pelos contratos firmados com os fornecedores de mão-de-obra, assim como no caso da merenda, eventuais atrasos nas faturas não podem ser usados como desculpa para o não pagamento dos salários”. A Faetec acena com a hipótese de novo repasse para quitar os atrasos, após o pagamento da folha salarial de ativos e inativos do estado.

“O retorno ao ambiente de trabalho vai ajudar a recuperar a autoestima dele”, explicou o servidor do Iserj. Ontem, ele foi procurado por uma tia, que o levou para ver os filhos pequenos. A vida de Jorge clareou, mas o beco continua escuro.

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