Por karilayn.areias

Rio - A última pesquisa Ibope para o segundo turno do Rio, divulgada na quinta-feira, mostrou que 21% dos cariocas não pretendem votar nem em Marcelo Crivella (PRB) nem em Marcelo Freixo (Psol) no próximo domingo. O percentual alto evidencia o que já havia ocorrido no primeiro turno, quando a soma de brancos, nulos e de abstenções chegou a 38,1%, número recorde na capital.

Votos brancos e nulos devem se repetir no próximo domingoArte O Dia

O crescimento nos índices de votos brancos, nulos e abstenções ficou patente a partir de 2004. Depois de apresentar queda de 1996 (29,6%) para 2000 (23,5%), o número subiu para 25,9%, 28,3% e 31,2% nas disputas municipais subsequentes, até chegar aos atuais 38,1%.

“Demonstra a crise de representação por que passam o país e a classe política, que colocam os políticos como se fossem todos iguais”, diz o cientista político Paulo Baía, da UFRJ. Ele prevê um aumento do número no segundo turno, já que parte dos eleitores que votaram em outros candidatos vai optar pelo voto branco e nulo — ou por se abster. 

Também cientista político da UFRJ, Jairo Nicolau explica que as abstenções costumam aumentar na segunda etapa do pleito. Eleitores que residem em outras cidades, por exemplo, podem desistir de viajar novamente para o município em que votam, seja pela derrota de seu candidato no primeiro turno ou porque só queriam escolher um vereador conhecido.

“Temos que ter cuidado: abstenção não manifesta apenas o desinteresse pelo voto. Existem problemas de cadastro, gente que se mudou, morreu”, observa Nicolau. “O mais preocupante é o crescimento de brancos e nulos. Foi a maior taxa desde a volta das urnas eletrônicas, algo muito atribuído ao atual cenário nacional”, indica o especialista, que também acredita no aumento de brancos e nulos na eleição nacional de 2018.

A crise de representação,no segundo turno, é ilustrada pelo jornalista Rodrigo Lins, de 36 anos, que vai anular o voto no dia 30. Contrário ao que se chama de “voto útil”, ele votou na candidata Carmen Migueles (Novo) no primeiro turno. “Nenhum desses dois (Crivella e Freixo) representa meus ideais. E acho esse negócio de voto útil uma bobagem. Nulo está dentro da lei”, afirma Lins.

Reportagem de Caio Sartori (estagiário) 

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