Ataques marcam último debate entre candidatos à Prefeitura do Rio

Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (Psol) vão disputar segundo turno neste domingo. Eles participaram de confronto na TV Globo nesta sexta

Por O Dia

Rio - O último debate entre os candidatos à Prefeitura do Rio antes do segundo turno da eleição foi marcado por ataques, na noite desta sexta-feira, na TV Globo. Entre os assuntos discutidos entre Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (Psol) estão a queda da ciclovia Tim Maia, que deixou dois mortos em abril deste ano, violência contra a mulher e a polêmica com a viúva de Amarildo, ajudante de pedreiro torturado e morto na Rocinha, em 2013.

Freixo atacou o adversário lembrando de um vídeo em que Crivella disse que "a mulher tem que obedecer os homens". "Dá para governar assim? Dizer que a mulher deve ser submissa ao homem é uma violência grave", afirmou o psolista.

O candidato do PRB explicou que vai criar mais creches na cidade, para que as mulheres possam deixar seus filhos antes de irem para o trabalho. "Quando disse que a mulher vem da costela do homem, quis dizer que os dois são iguais, que ela é parceira", se defendeu. 

Candidatos se cumprimentam antes do debate na TV GloboAlexandre Brum / Agência O Dia

Em relação à queda da ciclovia, Crivella questionou ao Freixo de que forma ele evitaria obras superfaturadas no Rio. "Não vou fazer alianças com as mesmas pessoas que você fez. Não tenho alianças com [Anthony] Garotinho, Rodrigo Bethlem e nem com o PMDB. No meu governo terá total transparência, eficiência e participação das pessoas", afirmou o psolista, que destacou ainda que a prefeitura precisa fiscalizar as obras. 

Crivella negou que fará alianças com Garotinho e Bethlem. Ele acrescentou ainda que a prefeitura deve "garantir que o cálculo estrutural" das obras "seja revisado para não acontecer igual a ciclovia Tim Maia".

Durante o debate, Freixo lembrou que Crivella é sobrinho do bispo Edir Macedo, dono da Record. "Qual o projeto político da [Igreja] Universal para o Rio?", alfinetou o deputado estadual. O candidato do PRB negou que a Igreja Universal vá participar de seu governo. "Pastor cuida da sua igreja e o senador, um deputado, cuida de assuntos públicos. Nesses 15 anos de carreira pública, já aprovei 20 leis", acrescentou.

Amarildo, Santiago Andrade e contas no exterior

O deputado perguntou ao senador sobre a polêmica recente com Elizabeth Gomes da Silva, viúva do ajudante de pedreiro Amarildo. A mulher foi à 11ª DP (Rocinha) nesta quinta-feira para denunciar a equipe de Crivella. Ela disse que foi induzida por integrantes da campanha do PRB a fazer um vídeo criticando o adversário. 

"Você não acha que o limite foi ultrapassado? Você não respeita nem quem morreru. As famílias do Santiago [Andrade — cinegrafista que foi morto durante uma manifestação, em 2013, no Centro], do Amarildo. Uma mulher com problema de saúde perdeu o marido torturado. Sempre fiquei ao lado deles", atacou Freixo.

Crivella negou as acusações e ressaltou que o psolista está "fazendo uma suposição como uma acusação formalizada, sendo defensor dos direitos humanos". "O que fizeram comigo foi covardia. Já fiz casas com recursos próprios e doei direitos autorais", completou.

Marcelo Freixo e Marcelo Crivella fizeram o último debate à Prefeitura do Rio na TV GloboAlexandre Brum / Agência O Dia

Freixo afirmou ainda que o adversário tem duas empresas em paraíso fiscal sendo investigadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "Por que os processos foram arquivados? Você teve as empresas, sim.", questionou o deputado. Crivella ironizou e disse que "defensor de direitos humanos não pode condenar sem prova".

"Se foi arquivado, é porque não tinha provas. Você vai publicar documentos falsos. Você baixa o nível do debate e eu levanto. O eleitor precisa harmonizar", disse o senador. 

Animais e turismo

Outro assunto discutido no debate foi sobre como a prefeitura vai garantir a proteção dos animais.? Freixo contou que conversou com os protetores e reforçou que é preciso ter castração móvel. "É preciso fazer parceria com a Suipa, ter um hospital de estudo de zoonoses. É uma questão de saúde pública", explicou o candidato do Psol.

Crivella explicou que é preciso criar uma "propriedade responsável". "Vamos criar um chip para colocar nas costas do animal. Caso ele seja abandonado, a prefeitura consegue encontrá-lo e identificar o dono que abandonou", explicou.

Em relação ao turismo, o candidato do PRB destacou que é preciso fazer uma parceria com o governo federal. "É preciso de um bom relacionamento. Nada de 'Fora Temer'", alfinetou Crivella, lembrando que Freixo foi contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). 

O psolista ressaltou que a sua relação com o governo de Michel Temer (PMDB) será democrática. "É importante criar um centro de convenções e criar um calendário anual em todo o Rio", completou.

Educação e empresas de ônibus

Questionado sobre as propostas na Educação, Freixo afirmou que o ideal é uma "escola que pensa, com liberdade, com planos de cargos e salários, escolas e cultura". "Acompanho de perto e a realidade dessas escolas é dramática. Sou favorável à educação inclusiva", disse o candidato do Psol.

Já Crivella ressaltou a importância de chamar as pessoas aprovadas em concursos. "Temos que chamar aprovados em concurso para cuidar das nossas crianças com deficiências e superdotados", enfatizou o senador.

Em relação à transportes, Freixo destacou que o BRT melhorou o sistema rodoviário. "Temos que tirar o poder dos empresários de ônibus. Bethlem está no seu governo. Como você vai melhorar ele estando no seu governo?", ironizou o deputado.

O candidato do PRB afirmou que o Imposto Sobre Serviços pago pelas empresas é menos de 1%. "As companhias de ônibus não vão mandar no meu governo", acrescentou. 

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