Aluna relata que professora proibiu tema sobre LGBTs em trabalho da PUC

Estudantes tinham que escrever reportagem de tema livre nesta segunda. No entanto, jovem contou que ela disse que este assunto 'poderia trazer problemas para a reitoria'

Por O Dia

Rio - Uma aluna, de 22 anos, do 8º período de Comunicação Social relatou que foi impedida de escrever um trabalho sobre a comunidade LGBT na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Segundo X., uma professora que ministra aulas de Redação em Jornalismo Impresso pediu para os estudantes escreverem uma reportagem de tema livre nesta segunda-feira. No entanto, a jovem contou que a professora disse que este assunto não deveria ser abordado, já que "poderia trazer problemas para a reitoria".

A estudante destacou ainda que já havia feito trabalhos acadêmicos sobre LGBTs em outros períodos do curso e que "nunca tinha sido proibida". "Pelo contrário, sempre foram elogiados. Desta vez, queria dizer como a PUC é um ambiente democrático e, ao mesmo tempo, mostrar as pessoas que sofreram algum tipo de preconceito na universidade", explicou X.

De acordo com a jovem, a professora vetou o tema por "não ir de encontro com a religião" e por achar que o reitor fosse "implicar" com o trabalho da estudante. A menina disse ainda que a mulher lembrou de um caso em que os alunos denunciaram por assédio um professor do mesmo departamento.

"Ela estava com medo de isso acontecer de novo, estava com receio de eu expor algum professor que tivesse envolvido com os casos de preconceito. Eu tentei explicar que meu objetivo não era expor ninguém e nem iria colocar o nome deles, mas apenas contar o ocorrido", reforçou a aluna, acrescentando ainda que os outros colegas de turma foram contra a decisão da professora.

Em nota, a PUC-Rio informou que, no início deste ano, a direção do departamento de Comunicação Social enviou uma "carta de princípios orientadores" para todos os professores. No documento, a universidade afirma que a "convivência universitária deve ser pautada por princípios", como "respeito ao outro em todas as suas dimensões" e "o diálogo e o encontro devem ser princípios orientadores da conduta coletiva".

A carta divulgada pela universidade prevê ainda que "nenhum preconceito de gênero, orientação sexual, etnia, classe social, filiação religiosa e política será tolerado". Além disso, no documento, a direção afirma que "todas as questões referentes às relações entre o corpo docente, discente e funcional devem ser solucionadas pelo diálogo construtivo e mutuamente respeitoso".

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