Por gabriela.mattos

Rio - Na véspera do Enem, garantem especialistas, o melhor é não estudar. Eles recomendam práticas mais relaxantes e organizacionais para o exame, que levará mais de 550 mil candidatos fluminenses a gastar a tinta da caneta no fim de semana.

O médico neurologista Leandro Teles, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), explica que agora não é o momento de adquirir novos conhecimentos. “Evite estudar temas novos ou muito complexos nos dias que antecedem a prova. Valorize o que você estudou durante o ano e não fique pensando naquilo que você não estudou ou não aprendeu”, recomenda.

Na visão de Carlos Norte, professor de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida (UVA), uma boa ferramenta para a última semana de preparação é o mapa mental, espécie de ferramenta cognitiva para relacionar matérias. “O aluno, quando chega nessa etapa, já tem uma estruturação do estudo. Ele vai precisar organizar quais conteúdos vai reforçar. O mapa mental começa com um conceito central, e o aluno coloca próximos os conteúdos relacionados a ele em uma rede de conhecimento”, aponta.

Unidade Centro do Pedro II, na Avenida Marechal Floriano, é uma das ocupadas, onde não haverá prova do Enem amanhã e domingoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Outra boa dica é praticar atividades prazerosas, principalmente as que coloquem o corpo em movimento, e técnicas de relaxamento, respiração e controle do pensamento. É assim que a estudante Yashmin Meirelles, de 17 anos, tem se preparado esta semana.

Na quarta-feira, a jovem, que almeja uma vaga no curso de Psicologia da UFRJ, recorreu à ‘massagem do vestibulando’, criada pelo AcquaBrasil Spa, na Ilha do Governador.

“Além de todo o preparo, com música e aromas que a gente escolhe, ainda conversam sobre a prova enquanto fazem a massagem, te tranquilizando. Foi sensacional”, diz Yashmin, que voltará hoje a ter corpo e mente acalmados pela massagem.

A técnica, segundo a massoterapeuta Fabyola Burin, relaxa os músculos e deixa o estudante mais atento por meio do alongamento cervical. Isto ajuda, diz ela, a melhorar o desempenho cognitivo — já que mais fluxo sanguíneo chegará ao cérebro. “As ferramentas do aluno são muito eletrônicas, usam muito o celular, tablet. Assim, o estudante fica com o pescoço a 45, 30 graus. Isso dá um peso na coluna cervical e deforma esse canal, prejudicando a chegada de sangue ao cérebro”, explica.

No Colégio Qi, os professores encontraram uma maneira de revisar os conteúdos e divertir os estudantes. Na véspera das provas, os educadores se vestirão como os bruxos da saga Harry Potter. Personagens da Carreta Furacão também vêm para descontrair os jovens. “Na véspera do exame, o psicológico e o emocional são dois pontos que também precisam ser trabalhados”, comenta Renato Pellizzari, coordenador de vestibular do colégio.

No dia do Enem, uma das maiores fontes de estresse é a chegada aos locais de prova. Por isso, o programa de crédito universitário Pravaler vai oferecer R$ 15 de desconto em corridas de Uber para os jovens que se cadastrarem no site www.nadavaiteparar.com.br, com vagas limitadas.

“Olhar aquelas cenas de alunos chorando com o portão fechado nos motivou a fazer alguma coisa. É um agradecimento aos alunos que ralam o ano todo”, disse Fábio Castro, gerente de Marketing da marca.

Enem adiado para 7 mil

Enquanto os 550 mil farão a prova, mais de 7 mil inscritos terão de esperar um pouco mais. Com escolas ocupadas por estudantes em protesto contra medidas do governo federal, a data foi adiada para os candidatos que prestariam o exame nesses locais. A Justiça negou ontem o pedido, feito pelo Ministério Público Federal, que pretendia cancelar o Enem para todos os candidatos.

No Rio, dez entidades foram afetadas: sete na capital (unidades do Colégio Pedro II do Centro, Engenho Novo, Humaitá, Realengo, Tijuca e dois prédios da de São Cristóvão); duas em Duque de Caxias (Colégio Pedro II e IFRJ) e uma em Rio das Ostras (UFF). 

O cancelamento da prova nesses locais incomodou os ocupantes, que acusaram o Ministério da Educação (MEC) de não procurá-los para conversar. No dia 1º, quando o MEC anunciou a decisão, alunos do ‘Ocupa CPII Centro’ divulgaram carta explicando que estavam dispostos a ocupar parcialmente o campus, de modo que não prejudicasse a realização do Enem — como ocorreu no segundo turno do pleito municipal.

O MEC vai anunciar, hoje, mais escolas que terão a prova adiada. O motivo são ocupações depois do anúncio divulgado terça-feira. No Brasil, 191.494 candidatos ficarão sem Enem amanhã e domingo. São mais de 300 locais de prova ocupados. Ocupantes criticam a PEC 241, que congela os gastos públicos por 20 anos e a reforma do Ensino Médio, proposta pelo governo do presidente Michel Temer. Em nota, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) manifestaram apoio às ocupações.

Reportagem dos estagiários Alessandra Monnerat e Caio Sartori

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