Por gabriela.mattos

Rio - A onda da crise na saúde estadual atinge mais uma unidade. A OS Pró-Saúde, que administra o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, vai devolver, no próximo dia 22, a gestão da unidade ao estado. O motivo: pendências no repasse de verbas. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirma o comunicado e diz que até o dia 18 vai definir nova OS para gerir o local. No entanto, o Sindicato dos Médicos do Rio (Sindmed-RJ) vai entrar com uma ação no Ministério Público do Rio (MP-RJ) para investigar os reais motivos da saída da OS e garantir que não haja interrupção nos atendimentos.

A Pró-Saúde já havia pedido, em 21 de junho, que a secretaria reassumisse a unidade. Em resposta, de acordo com a OS, a secretaria se comprometeu em regularizar a situação, mas até então, nada havia sido feito.

A secretaria, no entanto, afirma que publicou ontem um chamamento público para a contratação de nova OS até o dia 18. Em nota, garante que durante o processo de troca de gestão não haverá interrupção do atendimento e nem desassistência aos pacientes. E funcionários que tiverem interesse em continuar no hospital serão absorvidos pela nova OS.

Amanda contou que foi orientada pela médica a caminhar no hospital para ajudar na dilatação para o parto Luiz Ackermann / Agência O Dia

Presidente do Sindmed-RJ, Jorge Darze diz que é preciso mais transparência da OS. “Se o estado tem uma dívida com organização, por que a OS não recorre à Justiça para tentar garantir seus direitos ao invés de ameaçar os funcionários? Nem aviso prévio eles deram, apenas enviaram um comunicado sobre a demissão em massa”, questiona.

Darze diz que o sindicato vai acionar o MP para levantar as razões que levaram à saída da OS e também vai acionar a Justiça estadual contra a Pró-Saúde e o governo para que seja garantida a continuidade do funcionamento do Hospital de saracuruna. A OS afirma, em nota, que os funcionários entraram em aviso prévio na segunda-feira.

Já o Cremerj teme que a mudança resulte no sucateamento da unidade e prejudique a qualidade do atendimento. “A saída da OS mostra a fragilidade desse sistema e a sua falta de comprometimento com a saúde pública. Para o conselho, o melhor caminho sempre foi a administração direta, ou seja, feita pelo próprio estado.”

Sofrimento de quem precisa

Moradora de Saracuruna, Luciane do Nascimento, de 48 anos, diz que se o hospital fechar vai ser uma perda muito grande para os moradores daquela região. “Sem esse hospital só nos resta o Moacyr do Carmo (unidade municipal), que fica muito longe. À meia-noite acabam os ônibus, imagina uma emergência?

Gestante de 40 semanas, Amanda Pereira da Silva, 25, chegou à unidade às 7h de ontem, depois de passar pelo Hospital Geral de Bonsucesso e não conseguir atendimento. “Eles disseram que não atendem ninguém da Baixada Fluminense. Viemos para cá e nada. Estou com muita dor e sangrando”, disse.

Mãe de Amanda, Viviane da Silva, 40 anos, já não sabia mais o que fazer para ajudar à filha. “É um tratamento desumano. Sei que eles estão com dificuldade para receber o salário, mas e o juramento que fizeram?”, desabafou.

A assessoria do hospital informou que não havia indicação para internação, no caso da Amanda. A OS também é responsável por outras quatro unidades de saúde do estado.

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