Um quebra-cabeça de baleia

Esqueleto na entrada do AquaRio é de uma Jubarte morta no Rio após se chocar com um navio cargueiro

Por gabriela.mattos

Rio - Uma baleia Jubarte que voltava de uma migração para a Antártida e morreu na costa brasileira agora dá as boas-vindas aos visitantes do AquaRio — espaço inaugurado ontem, na Região Portuária, com mais de três mil animais marinhos distribuídos em 28 tanques.

Seu esqueleto foi pendurado com cabos de aço a 9 metros de altura, simulando um mergulho, no hall de entrada do aquário. Uma placa conta parte da história do animal: ele foi encontrado morto nas areias da Praia da Macumba, em 2014. Na época, seu destino seria o lixo e a Comlurb iria cortar seu corpo em pequenos pedaços que seriam jogados em um lixão. O metódo é o mais usual, já que, por se tratar de uma praia movimentada, a explosão do cadáver — outra forma de se remover o animal que pode chegar a pesar 13 toneladas — seria inapropriada. 

No entanto, o diretor presidente do AquaRio, Marcelo Szpilman, teve outra ideia. “Pedi para a Comlurb levar o animal intacto, enrolado em cobertores, em uma caçamba. Eles o enterraram em Seropédica. Um ano depois, o desenterramos”, contou.

Esqueleto é de uma Jubarte que viveu cerca de 10 anos e foi enterrado inteiro para ser preservado há três anosEstefan Radovicz / Agência O Dia

Com a ação, os ossos do animal puderam ser preservados. Para desenterrar a baleia, que tinha cerca de 10 anos de vida, foram usadas duas retroescavadeiras e um guindaste, em uma operação que envolveu 55 homens em três dias de trabalho.

Após o desenterro do mamífero, a provável causa da sua morte foi descoberta, já que o seu crânio estava esfacelado. “Acreditamos que ela tenha batido a cabeça em um navio de grande porte, como um cargueiro. Ela já chegou na praia morta, sem uma nadadeira também”, afirmou Szpilman.

A solução para a montagem da Jubarte ficou por conta de Carlos Amâncio, de 36 anos, que trabalha há 15 como osteomontador (profissional especializado em montar esqueletos). “Pensei em trazer o crânio de uma baleia da Bahia que havia encalhado, mas não quiseram doar o animal. Então, fiz uma cola especial com fibra de vidro e refiz parte do crânio. Uma das nadadeiras também é sintética”, disse.

A morte de baleias na costa brasileira tem aumentado. Levantamento do Projeto Baleia Jubarte aponta que, somente no primeiro semestre desse ano, 23 animais da espécie morreram. Ainda não se sabe se é pela poluição ou pelo crescimento populacional da espécie, que conta com cerca de 17 mil animais.

Devido à grande procura, um lote extra de ingressos, que também podem ser comprados no site, foi disponibilizado pela organização na bilheteria do Aquário.

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