Chuva no Estado do Rio deixa desalojados e desabrigados

Na capital, a Defesa Civil registrou até a tarde desta segunda-feira 51 ocorrências, como alagamentos e deslizamentos

Por O Dia

Rio - A chuva que atinge o estado desde a última sexta-feira deixou 76 desalojados em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Teresópolis e Petrópolis, na Região Serrana, e causou estragos em vários municípios. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) acendeu o Alerta Vermelho para todo Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Na cidade do Rio, a Defesa Civil registrou até a tarde desta segunda-feira 51 ocorrências, como alagamentos e deslizamentos. Até as 18h, os maiores índices de chuva foram registrados em Anchieta (17,8 mm em uma hora), Barra e Barrinha (10,4 mm em uma hora) e Irajá (10,2 mm em uma hora), de acordo com o Centro de Operações Rio. Uma árvore caiu na Praça Tiradentes e outra no Itanhangá nesta segunda-feira. Foram vistoriados 29 imóveis com rachaduras, infiltrações ou goteiras. Houve oito casos de desabamentos de muros.

Duque de Caxias foi o município mais afetado na Baixada. Pelo menos dez famílias ficaram desalojadas: 24 pessoas. Até esta tarde, eram 20 ocorrências, sendo nove deslizamentos — sem vítimas. A maior parte foi em Xerém, onde a Defesa Civil foi acionada dez vezes. A chuva acumulada atingiu 224,6 mm — volume esperado para um mês. Em Imbariê, várias ruas ficaram intransitáveis em razão de alagamentos, e foram registradas seis ocorrências. Às 19h, a cidade voltou ao estado de atenção.

Árvore caiu sobre os trilhos do VLT na Praça Tiradentes. De acordo com a Defesa Civil%2C foram 51 ocorrências na cidade por causa das chuvasDivulgação/Twitter Lei Seca

Em Teresópolis, 40 pessoas ficaram desalojadas porque suas casas estão alagadas ou sob risco de desabar. Os moradores passaram o domingo no centro comunitário da cidade. Desde sábado, foram registradas 37 ocorrências, sendo 19 deslizamentos de terra, a maioria no bairro Vale da Revolta.

Em Petrópolis, três imóveis foram interditados por risco de desabamento e 12 pessoas ficaram desalojadas. Um deslizamento de rocha fez duas das interdições. Desde sábado, foram 55 ocorrências. Na madrugada de domingo, sirenes foram acionadas em oito bairros para moradores saírem de casas. Três trechos BR-040, na serra de Petrópolis, foram parcialmente interditados.

Em Angra dos Reis, na Costa Verde, a população foi alertada por mensagens de texto no celular. Cerca de 44 mil pessoas vivem em áreas de risco no município.

Sem superlua

O tempo fechado fez os cariocas perderem a Superlua, fenômeno raro que torna a lua 14% maior e 30% mais brilhante que o normal. É a primeira vez que o satélite chega tão perto da Terra desde 1948. Só voltará a fazê-lo em 2034. Turistas lamentaram a chuva na Região dos Lagos, mas não se arrependeram da viagem. “Eu e meu marido estamos aproveitando para descansar e passear quando a chuva para ou fica fina”, disse Maria das Graças da Silva Pereira, em Saquarema.

Ano deve ser o mais quente

Este ano deve superar 2015 como o mais quente da história, segundo estudo publicado nesta segunda-feira pela Organização Metorológica Mundial (OMM). O aumento da temperatura global será de 1,2°C acima dos níveis pré-industriais, apontou o relatório da agência das Nações Unidas (ONU). De janeiro a setembro, ficou 0,88°C mais quente do que a média entre 1961 e 1990, devido principalmente ao El Niño, que aqueceu as águas de alguns pontos do Pacífico.

"Em áreas árticas da Rússia, as temperaturas ficaram 6°C a 7°C acima da média de longo prazo. Em muitas outras regiões árticas e subárticas na Rússia, no Alasca e no noroeste canadense, a média foi ultrapassada em pelo menos 3°C”, disse por meio de nota o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

Enchentes, ondas de calor e outros eventos naturais extremos vão se tornar cada vez mais frequentes com o avanço das mudanças climáticas causadas pelo homem, de acordo com Taalas. À alteração no clima também se deve o aumento no nível do mar. Em 2015, a concentração média anual de dióxido de carbono na atmosfera foi a maior já registrada, de 400 partes por milhão.

Reportagem da estagiária Alessandra Monnerat

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