Denúncias chegam a filho de Cabral

João Pedro teria reclamado de aplicações de R$ 675 mil. ‘Mas é só isso?’, questionou em e-mail

Por O Dia

Rio-  Documentos eletrônicos arrecadados com Carlos Miranda, amigo e ex-sócio do ex-governador Sérgio Cabral, revelam o quanto o político preso era generoso com sua prole.

E-mail trocado entre Carlos Miranda e João Pedro Neves Cabral sugere que o filho do ex-governador “tem acesso a recursos financeiros aplicados em instituição bancária os quais não estariam em seu nome, mas sob a administração de Carlos Miranda”, segundo a denúncia das autoridades federais que atuaram na Operação Calicute. Anexo ao e-mail, um documento detalhava aplicações no valor de R$ 675 mil.

Na mensagem eletrônica, trocada em 19 de fevereiro de 2015, o filho de Cabral ainda reclama do valor: “mas, só tem isso!?”, no que Miranda responde: “é o que está aplicado com você”. A denúncia destaca que na planilha de investimentos realizados no Banco Citibank “não há demonstração de número de conta ou de quem seria o investidor”.
Miranda, amigo de infância de Sérgio Cabral e preso como operador financeiro da organização criminosa desbaratada, é apontado como responsável pelo recolhimento e distribuição das propinas recebidas pelo bando.

Reportagem do O DIA revelou que, em dinheiro vivo, a quadrilha recebeu R$176 milhões somente da construtora Andrade Gutierrez. Miranda, que mora em apartamento de luxo de frente para a Lagoa Rodrigo de Freitas, era quem fazia as declarações de Imposto de Renda da família de Cabral, “da sua ex-esposa, Suzana Neves Cabral, de sua mãe, Magali Cabral, do seu irmão Maurício Cabral, do seu assessor pessoal Pedro Ramos de Miranda, da sua respectiva companheira Aline Jeucken da Silva, assim como da sua secretária pessoal Luciana Rodrigues da Silva”.

A Operação Calicute foi deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, na quinta-feira. Segundo a denúncia, o Cabral era o líder de uma quadrilha que recebeu, entre 2007 e 2014, pelo menos R$224 milhões em propinas.

Executivos de duas empreiteiras confirmaram em delação premiada que Cabral recebia mesada de R$ 800 mil. Preso em Bangu 8, não recebeu visitas no fim de semana, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Mas tem se alimentado bem.

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