Helicóptero da PM teve sinal de rádio e imagens interrompidos antes da queda

Informação foi confirmada pela corporação nesta segunda-feira. Um dos policiais afirmou que aeronave sofreu problema técnico no último dia 15

Por O Dia

Rio - A Polícia Militar afirmou que o helicóptero Fênix 04, que caiu sábado na Cidade de Deus, resultando na morte de quatro agentes, teve o sinal de rádio e de imagens interrompido pouco antes da queda. Como O DIA noticiou ontem, um militar da mesma tripulação do subtenente Camilo Barbosa Carvalho, um dos mortos na queda, afirmou que a mesma aeronave sofreu problema técnico no em pleno voo, no último dia 15.

Ontem, a polícia realizou operação no Complexo da Maré em busca de traficantes que teriam fugido da comunidade, ocupada pelos policiais desde sábado, quando ocorreu o acidente. Quatro suspeitos morreram na ação.

Entre os suspeitos procurados na operação estavam o acusado de ser o chefe do tráfico na Cidade de Deus, conhecido Edvanderson Leite, o Deco. Ele teve licença para deixar a prisão em julho e não se apresentou mais. Na manhã de domingo, horas após a queda da aeronave, moradores da Cidade de Deus encontraram mais sete corpos na região, e a Delegacia de Homicídios investiga o caso.

Aeronave teve falha na comunicação dias antes de cair%2C segundo mensagens de militares. Mesmo problema teria sido detectado na hora da quedaEfe

Na hora da pane ocorrida no dia 15, quem estava de serviço na PM afirmou, em mensagem de Whatsapp obtida pelo DIA, que a comunicação com o helicóptero havia sido interrompida. “Urgência: Não tem como manter contato rádio aeronáutico com a Fênix 04, gerando transtorno para o serviço e comprometendo a segurança do voo. Diante desse fato, pede providência”, escreveu um militar que estava de serviço no dia. Outro responde, aparentemente ao tentar contato. “Procede. Radio Aeronáutico não é copiado”, escreve. 

A PM nega o registro da suposta pane e afirmou que outra aeronave apresentou um problema no velocímetro no dia. A aquisição da aeronave prefixo PRIDR foi realizada pela empresa Helibras, a mesma responsável pela sua manutenção anual. Os pagamentos com a empresa se encontram atrasados desde agosto deste ano pela Polícia Militar, totalizando R$ 3,5 milhões, de acordo com o site de transparência do governo.

No entanto, a Helibras afirmou que continuou a fazer a manutenção, mesmo com os atrasos. “Apesar de haver uma pendência temporária de pagamento, fruto da situação econômica do estado, a Helibras não interrompeu seu apoio à frota de helicópteros da nossa marca coberta em contrato vigente. As inspeções de manutenção preventiva (horárias e de calendário) são controladas pelo Grupamento Aeromóvel da PMERJ, o qual aciona a fabricante para realizar os serviços dentro do Programa de Manutenção previsto no contrato”, disse. A Anac aponta que a próxima inspeção anual da aeronave deveria ser realizada no próximo dia 4 de dezembro.

Mortos na Cidade de Deus tinham tiros e facadas

A Divisão de Homicídios identificou ontem os sete mortos na Cidade de Deus: Leonardo Camilo da Silva, de 30 anos; Rogério Alberto de Carvalho Júnior, de 34; Marlon César Jesus de Araújo, de 22; Robert Souza dos Anjos, de 24; Renan da Silva Monteiro, de 20; Leonardo Martins da Silva Júnior, de 22; e um adolescente de 17 anos.

Todos os corpos apresentavam marcas de tiros, alguns na nuca, e até de facadas, segundo informações da perícia. A DH investiga se eles foram mortos pela polícia, por facções rivais ou milícias que atuam na região. Seis das sete vítimas tinham passagens pela polícia por roubo ou tráfico.

“Não estou aqui para defender criminoso. Mas o policial se formou para fazer o bem. Por que não prenderam (os mortos)?”, protestou Leila Silva, madrasta de Leonardo Junior.

PMs mortos na queda da aeronave são homenageados em rede social

Nas redes sociais, os policiais militares mortos na queda do helicóptero foram homenageados em diversas partes do Brasil. Fotos e vídeos foram compartilhados com pessoas fazendo uma continência militar (com a mão direita na cabeça). A Polícia Militar postou um vídeo em sua página em que populares aplaudem e cumprimentam os agentes que estão em uma viatura na Zona Sul do Rio. As homenagens foram emocionantes e feitas em várias partes do país e, em muitos casos, simultaneamente. A objetivo é mostrar que eles morreram como heróis, em ação e em defesa da população.

Já um áudio supostamente gravado no Complexo Penitenciário de Bangu mostra supostos traficantes fazendo a leitura da chamada “circular do luto”. O orador pede um minuto de silêncio para cada morto na Cidade de Deus. Ele usa termos militares dizendo que integrantes da facção morreram “em cumprimento do dever”.

Manhã de caos na Zona Norte

Na operação realizada no Complexo da Maré ontem, três suspeitos foram detidos na comunidade Nova Holanda estariam com três fuzis e uma pistola. Dois suspeitos, segundo a PM, que estariam com uma pistola, uma submetralhadora e drogas foram mortos. Os agentes apreenderam ainda três sacolas contendo relógios roubados e cerca de 40 quilos de droga.

No Parque União, foram presos três homens com duas granadas, um colete balístico, um radiotransmissor e quatro quilos de cocaína. Outros dois suspeitos, segundo a PM, morreram. Com eles foram apreendidos duas pistolas e um radiotransmissor. As ocorrências foram registradas na 21ª DP (Bonsucesso).

Pelo menos 14 mil estudantes ficaram sem aulas na Maré e também na Cidade de Deus, onde a polícia se manteve presente desde sábado. O traficante identificado apenas como Leandro, o Lelei, foi preso ontem, com porte de cocaína, crack e maconha. A Justiça determinou a prisão de outros nove traficantes da região.

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