Por gabriela.mattos

Rio - Em escuta telefônica autorizada pela Justiça, um dos operadores financeiros do esquema investigado pela Operação Calicute, Wagner Jordão Garcia, preso semana passada, diz que o atual secretário de Fazenda, Gustavo Barbosa, está 'cagando' para a Saúde.

“Ele pagou a segurança e a educação. Ele está ‘cagando’ para a Saúde, mas não é ‘cagando’. Ele está mais preocupado com os professores, que são 'xiitas', né? E com a segurança, porque porra, mexer com segurança é terrível (...) E precisa ter alguém que defenda o Palácio, né?”, aponta Wagner.

Ele aparece, três dias antes das prisões da Calicute, conversando com o ex-tesoureiro do PMDB Luiz Rogério Gonçalves Magalhães sobre o porquê de Gustavo Barbosa ser "esperto". Os dois consideram a Educação um “movimento mais forte” e duvidam da capacidade de mobilização do funcionalismo da Saúde. 

“A saúde, ela não tem uma força política de organização. Ela tem consequências para a sociedade, mas não tem uma força política de organização. Porque a maioria é terceirizada, né? Funcionário mesmo, do Estado, hoje, na Saúde, deve ter uns 4, 5 mil funcionários, no máximo. O resto é tudo terceirizado. Terceirizado não faz greve, por causa da lei do funcionalismo, então a jogada é essa aí”, explica Luiz Rogério Gonçalves Magalhães.

Na gravação, eles também criticam o  Poder Judiciário. “A melhor maneira de jogar o ódio de todos é para cima do Judiciário”, indica Magalhães, que vê “erros graves” por parte de “Serginho” - provavelmente se referindo ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato. Wagner concorda. “Os caras estão abusando, estão acima do bem e do mal”, diz. “Os caras perderam o azimute”, reforça Magalhães.

Com o estagiário Caio Sartori

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