Por rafael.nascimento

Rio - A Polícia Civil vai investigar a morte do vigilante Rafael de Souza Oliveira Monteiro, de 26 anos, atingido dentro de casa por uma bala perdida na comunidade Kelson's, na Penha, na tarde da última quarta-feira. A decisão acontece após o DIA mostrar que não houve registro de ocorrência na morte de Monteiro. Segundo familiares e amigos, ele foi atingido durante um confronto entre policiais e traficantes. Ainda não se sabe de onde partiu o disparo que tirou a vida de Rafael.  

Nesta segunda-feira, quatro dias após a morte do vigilante, a Polícia Civil entrou em contato com a reportagem e afirmou que a Delegacia de Homicídios (DH) da Capital vai apurar as circunstâncias da morte.

Como o DIA mostrou na última sexta-feira, Rafael morreu, em sua casa, atingido por uma bala perdida. Ele chegava do trabalho por volta das 15 horas, quando teria começado uma operação do 16º BPM (Olaria). Segundo parentes, ele foi atingido durante um confronto entre policiais e traficantes. Ainda não se sabe de onde partiu o disparo que vitimou Rafael.  

Rafael Monteiro%2C 26 anos%2C foi baleado na cabeça e não resistiu Reprodução Internet

O vigilante foi levado com vida para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, e, logo após, transferido para o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias porque o tomógrafo do Getúlio Vargas não estava funcionando. Mas morreu na madrugada de quinta-feira. 

Contradição no registro de ocorrência

Na quinta-feira, segundo a assessoria de imprensa da PM, por telefone, por volta das 20h40, o comandante do 16º BPM (Olaria) foi informado de que um morador havia sido baleado na Kelson's e ele determinou que uma viatura fosse enviada ao Getúlio Vargas. Ao chegar na unidade de saúde, os PMs confirmaram o fato. Ainda de acordo com a corporação, os militares seguiram para a 22ª DP (Penha) e registraram um boletim de ocorrência. No entanto, a Polícia Civil desmentiu a PM e negou haver qual registro de com o nome de Rafael de Souza Oliveira Monteiro, o vigilante morto, naquela distrital.

De acordo com a Polícia Civil, existia um registro de ocorrência em nome de Rafael, mas feito por um médico na 60ª DP (Campos Elíseos), que pedia a remoção do corpo para o Instituto Médico Legal (IML) de Duque de Caxias. Segundo o órgão, sem o boletim de ocorrência seria impossível que a Delegacia de Homicídios (DH) da Capital fizesse uma perícia no local para descobrir de onde partiu o tiro que matou o vigilante. 

Na sexta-feira, a assessoria de imprensa da Polícia Militar enviou uma nota, afirmando que Rafael "foi vitimado quando a PM já não se encontrava no local". Contradizendo o que havia sido dito na quinta, a instituição afirmou que, militares não foram a 22ª DP (Penha) fazer um boletim de ocorrência, já que para o órgão, "esse tipo de ocorrência — quando a vítima não morre no local e chega a ser encaminhada para o hospital — é registrado pelo policial militar ou civil do plantão do hospital, onde ele deu entrada".

A Secretaria Estadual de Saúde confirmou que o tomógrafo do Getúlio Vargas está parado a espera de conserto. Segundo a secretaria, Rafael foi atendido por uma equipe de cirurgia geral e de neurocirurgia, depois transferido para o Hospital estadual Adão Pereira Nunes para uma tomografia de crânio, mas não resistiu e morreu.  A direção do Getúlio Vargas confirmou que o equipamento está quebrado desde domingo. Segundo a unidade médica, o aparelho entrou em manutenção no último domingo e a previsão é que a revisão seja concluída até a próxima semana. No entanto, o hospital não especificou o dia que o equipamento será disponibilizado a população. 

Vaquinha para enterrar Rafael

Após constatado o óbito, o corpo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Duque de Caxias. Por não terem condições de pagarem o velório e enterro — estimado em aproximadamente R$ 3.600 — os parentes de Rafael decidiram, à época, fazer uma vaquinha tendo arrecadado, até a tarde desta sexta-feira, apenas R$ 2.300. A esposa da vítima chegou a disponibilizar sua conta bancaria pedindo a ajuda de parentes e amigos. Após o DIA mostrar a dificuldade, a família conseguiu arrecadar o dinheiro e fazer o enterro de Rafael. Ele foi sepultado na manhã de sábado no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio. 

Reportagem do estagiário Rafael Nascimento

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