Por gabriela.mattos
Rio - Uma área equivalente à cidade inteira de Nova Friburgo foi desmatada entre 1985 e 2015 no Estado do Rio. Juntos, 13 municípios fluminenses destruíram 94.825 hectares de Mata Atlântica, quase 95 mil campos de futebol. O alerta é da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mapearam as 100 cidades que mais desmataram esse bioma em 30 anos.
As cidades fluminenses de Macaé e Trajano de Moraes aparecem entre as 10 mais, no sétimo e décimo lugares, respectivamente. Em um ano, entre 2014 e 2015, as cidades de Conceição de Macabu, Rio das Flores e São José do Vale do Rio Preto foram as que mais desmataram esta vegetação nativa: 18 hectares de floresta. Já Angra dos Reis foi a que mais conservou: com 80% do total preservado.
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A diretora-executiva da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, lembra que antigamente, esta mata nativa cobria todo o estado e hoje se concentra mais nas regiões Serrana e Sul Fluminense. No Rio, o Parque Nacional da Tijuca se restringe a três fragmentos. “No restante dos municípios, praticamente desapareceu. Com isso, perdemos a biodiversidade, comprometem-se serviços ambientais”.
A boa notícia é que o fenômeno está desacelerando. Campeão em desmatamento no passado, hoje o Rio está no nível do desmatamento zero: perdeu menos de 1km2 de floresta nativa. Márcia, porém, alerta para o ‘efeito-formiga’: a existência de desmatamentos menores do que três hectares, que não aparecem no levantamento. O problema, aponta, é agravado por ocupação irregulares, com pessoas morando em áreas de encostas ou à beira de rios. Segundo ela, o documento pode ajudar novos prefeitos a buscar soluções para o problema.