Por gabriela.mattos
Rio - Depois de O DIA noticiar que quadrilhas ligadas a facções criminosas loteiam áreas do Rio de Janeiro para praticar roubos de carga, motoristas de caminhão que transitam diariamente pela Rodovia Presidente Dutra afirmam ter feito mudanças em seus trajetos e rotinas por causa da violência.
Caminhoneiro há 7 anos e com passagem diária pela Dutra, Renato Duarte, de 39 anos, conta que já existe uma postura conhecida de alguns motoristas para evitar assaltos no trecho entre o Trevo das Margaridas, começo da rodovia, e o Shopping Grande Rio, em São João de Meriti, considerado por ele o mais perigoso.
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“Quando saio do centro de distribuição da empresa, acesso logo a pista do meio na faixa mais da esquerda, porque assim evito abordagens pela minha janela”, contou o profissional, que nunca foi roubado.
Caminhoneiros evitam lugares como o trecho entre o Trevo das Margaridas e o Shopping Grande RioLeandro Eiró / Agência O Dia

A prática de trafegar na faixa de maior velocidade também foi confirmada por Bruno Henrique, de 30 anos, há 4 na profissão e que teve a carga do seu veículo roubada em maio deste ano. “Os motoristas pedem passagem, nos xingam, mas talvez seja nosso único recurso”, explicou. Na ocasião do assalto, Bruno, que foi levado para uma comunidade, disse apenas que teve de descarregar a carga e então foi liberado, sem sofrer violência.

Já Elias Galvão, de 48 anos e quatro de caminhão, não teve a mesma sorte. O profissional, inclusive, já pensou em deixar o trabalho em razão do trauma sofrido. Em outubro do ano passado, ele foi rendido com o veículo e levado para a comunidade da Quitanda, em Costa Barros. “Colocaram revólver na minha cabeça, me agrediram com a arma na minha costela. Fiquei traumatizado e cheguei a pensar em sair”, desabafou.
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Em comum, todos os caminhoneiros citaram também a prática de andar em comboio, o máximo possível, como outro recurso que dispõem para tentar evitar assaltos.