Por gabriela.mattos
Rio - A arma mais moderna usada pelas forças especiais das polícias civil e militar já é encontrada nas mãos de criminosos. É o que mostra o levantamento de apreensão de fuzis feito pela PM.
Dos 304 fuzis apreendidos entre o dia 1º de janeiro e 6 de dezembro, 13 deles são do modelo AR-10. “É uma novidade essa arma entrar na lista de apreensões. Ele é o corpo do AR-15, com munição de 7,62, ou seja, um fuzil mais potente. Os policiais do Bope, do Batalhão de Choque e do Batalhão de Ações com Cães (BAC) são os que têm autorização para o uso e ele é o mais moderno que temos de armamento”, afirmou o coronel Lima Freire, chefe do Estado-Maior da corporação.

A Secretaria de Segurança Pública comprou 750 fuzis desse modelo, em 2013, visando a Copa e as Olimpíadas. Destes, 150 unidades foram dadas para a Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core). Na época pagou R$ 5 milhões pela compra à empresa americana Armalite Inc.

Fuzil AR-10 possui o corpo do AR-15%2C mas com munição mais potente. Arma americana só pode ser utilizada pelo Bope%2C Choque%2C BAC e pela Core%2C da Polícia CivilReprodução

A licitação apontou como justificativa para a aquisição “que este equipamento é o mais indicado para um tiro incapacitante, pois o calibre 7,62x51mm possui uma boa transferência de energia com munição comum em alvos moles com alguma proteção, desse modo fazendo-se cessar quase imediatamente qualquer agressão”.
Segundo a Polícia Militar, nenhum dos fuzis comprados foi desviado, o que significa que as armas encontradas com bandidos entraram no Brasil por rotas ilícitas.

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Três rotas
“Há três tipos de rotas: seca (fronteira); molhada (pelo mar); aérea (avião). O maior número de fuzis pegos é de AK-47 (104 unidades). A origem é da ex-União Soviética, que vendeu unidades para os exércitos de países latinos como Venezuela e Colômbia. Atualmente, a rota seca, pelas fronteiras, ainda é a mais utilizada”, afirmou Lima Freire.
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Exército destrói 20 mil armas apreendidas no estado
Homens do Exército destruíram ontem 20 mil armas apreendidas no decorrer de cinco anos de operações policiais realizadas pela Policia Militar e pela Polícia Civil, no Estado do Rio de Janeiro. No material destruído tinha pistolas, fuzis e até lança-foguetes, de diferentes países de origem.
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Para a destruição, foi usado inicialmente um rolo compressor e, após o esmagamento, o material foi derretido em um forno de alta temperatura. Antes da destruição, a Polícia Civil separou algumas armas que podem ser reaproveitadas pelos agentes.
O delegado Rafael Willis, coordenado da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivo, disse que tirou do monte os calibres que já foram de uso das corporações. A intenção é aguardar a regulamentação do governo federal, autorizando o uso pelas polícias.
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A operação foi batizada de Rolo Compressor também é uma forma de evitar o extravio de armamentos.
Segundo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Armas, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, as polícias estaduais e federais, além das Forças Armadas, tiveram 1.580 armas desviadas no Estado do Rio, entre 2000 e 2010. Segundo a CPI, em 10 anos, 640 armas foram desviadas da PM e outras 1.050 da Civil.