Por gabriela.mattos
Rio - A Prefeitura de Nova Iguaçu afirmou que pagará hoje salários de outubro com recursos do Fundeb a 749 profissionais da Educação que recebem até R$ 3.409. Não há previsão para os demais servidores. “Tudo dependerá do fluxo de recursos dos governos federal e estadual”, informou a assessoria. O município esclareceu que pagou 75% da folha de pagamento de outubro a ativos e inativos e que o pessoal da Saúde e os contratados já receberam o salário de outubro.
“Já pagamos a quem ganha até R$ 4 mil da área de Saúde. Das demais secretarias, pagamos apenas aos que ganham até R$ 2 mil.” Professores aposentados como Nilda Terra de Oliveira, de 70 anos, foram ao Sepe ontem saber novidades. “Do bolso, vou muito mal, e da saúde, estou piorando. Sofro de falta de cálcio nos ossos e não tenho dinheiro para comprar remédios”, desabafou a idosa, que não recebe há dois meses.
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Outros municípios da Baixada enfrentam problemas semelhantes, como São João de Meriti e Mesquita. Em Meriti, falta pagar 50% dos servidores referente a outubro. Os inativos da Educação não receberam agosto, setembro e outubro. Outras secretarias aguardam pagamento de julho. Não há previsão de normalização, mas a prefeitura diz que está realizando esforços para isso e culpa a queda da arrecadação e de repasses do estado. A Prefeitura de Mesquita não se pronunciou.
Manifestantes contaram que estão passando necessidade sem receberReprodução Facebook

Sem salários, servidores protestam na Baixada

Com salários atrasados desde outubro, servidores municipais de Nova Iguaçu fizeram passeata por vias da cidade ao longo do dia ontem e chegaram a interromper o trânsito na Via Light de manhã por 30 minutos. Segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação de Nova Iguaçu (Sepe), mais de 500 pessoas ocuparam o gabinete do prefeito Nelson Bornier para negociar os pagamentos. A diretora do órgão, Simone Caixeiro, denunciou que dez professoras precisaram receber atendimento no Hospital da Posse à noite porque teriam sido agredidas por seguranças com spray de pimenta, socos e pontapés.

"Tem professora machucada no braço, porque um segurança empurrou e a arrastou pela parede. Tem professora que está toda queimada com spray de pimenta”, disse Simone ao DIA por telefone.
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No início da noite, o Sepe denunciou, por meio do Facebook, que os manifestantes foram expulsos do gabinete com uso de força bruta e gás de pimenta. A instituição afirmou ainda na rede social: “Um dos profissionais da Educação quase foi atropelado pela vice-prefeita Nicolasina Acarisi”. Vídeo publicado pelo sindicato mostra um homem de camisa preta atirando spray em pessoas que cercaram o carro que seria da vice-prefeita. A prefeitura negou tanto o uso da força contra os participantes quanto o episódio envolvendo Acarisi.
Por volta de 13h, o Movimento Unificado dos Servidores Públicos de Nova Iguaçu (Musp-NI) relatou que os manifestantes da Educação unidos com funcionários da Saúde, Assistência Social, Transportes e outras secretarias ocuparam o gabinete solicitando pagamento dos salários de outubro, novembro e décimo-terceiro. A PM e a prefeitura negaram que tenha ocorrido ocupação do prédio e informaram que o protesto era pacífico.
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“Os professores já estão ficando sem dinheiro de passagem e estão tendo a luz de casa cortada. Os aposentados não têm dinheiro para comprar remédios e estão com plano de saúde atrasado”, contou a secretária do Sepe de Nova Iguaçu, Maria de Jesus Miranda.