Júri da 'Viúva da Mega-Sena' entra em dia de decisão final

Promotora e advogado de defesa terão uma hora e meia para exposições e mesmo tempo para réplica e tréplica. Em seguida, jurados votam o caso

Por O Dia

Rio - O júri da cabeleireira Adriana Ferrreira Almeida, conhecida como a "Viúva da Mega-Sena", entrou em seu terceiro e último dia nesta quinta-feira, no Conselho de Sentença do Tribunal do Júri, no Fórum da Comarca de Rio Bonito. Adriana foi interrogada pelo juiz Pedro Amorim Pilderwasser às 11h34, de acordo com o Tribunal de Justiça do Rio, em seguida, a ré passou a ser ouvida pelo MP. Em acusações apresentadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), ela é apontada como mandante do assassinato do marido Renné Senna, que ficou milionário após receber um prêmio da Mega-Sena, em janeiro de 2007. 

Adriana chamou de mentiroso o gerente do banco de René, que afirmou nesta quarta-feira que ele quis encerrar a conta conjunta que mantinha com ela. "Eu podia ter sacado o dinheiro, se quisesse, mas preferi deixar aplicado. Hoje a conta tem mais de R$ 4 milhões e está bloqueada", disse ela.

'Viúva da Mega-Sena' no último dia de júri em Rio BonitoEstefan Radovicz / Agência O Dia

Segundo a viúva, foi o próprio gerente quem a orientou a fazer a transferência de R$ 1,8 milhão da conta conjunta para sua individual.

A ré afirmou que amava o marido e negou que teria dito que apenas "nutria um carinho por ele". Adriana ainda afirmou que o apartamento adquirido em Arraial do Cabo foi um presente do marido para ela. 

Na audiência desta quinta, a promotora de Justiça Priscila Xavier poderá fazer a sustentação oral por uma hora e meia. O advogado de defesa terá o mesmo tempo e os dois terão direito à réplica e tréplica. Depois, os sete jurados irão para a sala secreta votar sobre o caso, acompanhados do juiz Pedro Amorim Gotlib Pilderwasser, da promotora e do advogado da acusada.

Adriana Ferreira%2C conhecida como 'Viúva da Mega-Sena'%2C já foi interrogada por juiz nesta quinta-feira Estefan Radovicz / Agência O Dia

O segundo dia do julgamento começou às 10h45 desta quarta-feira, com as oitivas de três testemunhas, sendo dois ex-seguranças de Renné e um gerente de banco. Na sequência, foram ouvidas as testemunhas da defesa. No total de dois dias de julgamento, 16 pessoas prestaram depoimento.

Nesta terça, o gerente contou que o então milionário foi ao banco com o objetivo de separar sua conta conjunta com Adriana. No entanto, ele teria mudado de ideia. Após a morte do marido, Adriana questionou o gerente sobre como ter acesso à fortuna de R$ 1,8 milhão na conta conjunta. Ao que foi informada de que só bastaria o atestado de óbito, já que a conta era solidária. Assim, a viúva abriu uma nova conta e transferiu o valor.

Em janeiro de 2007, Renné foi assassinado com quatro tiros em um bar, em Lavras. Ele havia recebido o prêmio de R$ 52 milhões da Mega-Sena há um ano e meio antes do crime. A vítima estava sem segurança naquele dia. Na ocasião, a Adriana morava com ele em uma fazenda em Rio Bonito. Segundo as testemunhas, o milionário suspeitava que estava sendo traído pela mulher e pretendia tirá-la do testamento.

Adriana chegou a ser absolvida, em dezembro de 2011, pelo Conselho de Sentença de Rio Bonito. No entanto, o MP recorreu da decisão. Em abril de 2014, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) submeteu Adriana a novo júri. Os desembargadores da 8ª Câmara Criminal acolheram a tese do MPRJ de que a decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos.

Os ex-seguranças da vítima, Anderson Silva de Souza e Ednei Gonçalves Pereira, já foram condenados. Eles cumprem pena de 18 anos de prisão pelo crime.

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