Taxistas mantêm bandeira 1 em dezembro

De olho na concorrência da Uber, motoristas dos amarelinhos abrem mão do extra de fim de ano

Por O Dia

Rio - Taxistas estão tentando driblar a concorrência dos aplicativos, como o Uber, e resolveram rodar durante todos os dias de dezembro em bandeira um. Até então o mês era marcado pela utilização da bandeira dois, o que garantia um extra, equivalente ao 13º dos motoristas. Presidente da Associação dos motoristas do Leme Praia Taxi, Luiz Claudio Pereira conta que a novidade foi bem aceita no bairro. A ideia tem dado tão certo, que em janeiro o modelo deve continuar. E quem agradece, é o usuário.

Morador do Leme, Guilherme Miranda, 72 anos, aprova e assina embaixo a iniciativa. “Não uso tanto esses aplicativos de corrida, não vejo necessidade. Tenho um ponto de taxi na porta de casa e já conheço os taxistas, me sinto seguro. Acho que eles estão certos, estão respondendo como podem ao Uber”, pontua.

Há 27 anos, José Fernandes da Costa circula pelas ruas do Rio em seu táxi. Ele conta que neste período do ano a demanda das corridas sempre aumenta, mas, com a Uber, a procura caiu muito e se adaptar é fundamental.

José Fernandes conta que é preciso se adaptar para fazer frente à concorrência do aplicativo UberMaíra Coelho / Agência O Dia

“Muitos passageiros nossos pegam Uber, a gente sabe que eles têm esse direito. Cada um sabe onde o calo aperta, mas de março pra cá perdemos cerca de 50% das corridas diárias. Aderir à bandeira um nesse mês foi bom para a gente e para os clientes, que sei que gostam do nosso serviço”, conta o taxista.

Recentemente, reclamações sobre o preço dinâmico do aplicativo Uber têm sido constantes nas redes sociais. Para o presidente da associação, este acabou sendo um fator positivo para sua categoria. “Isso mostra a fragilidade do serviço. Tem gente se sentindo lesada e voltando aos táxis”, diz.

Pereira revela que desde o início do mês sua frota circula em bandeira um durante todo o dia. Ele conta que já viu outros pontos de táxis em bairros da Zona Sul, como o da Gávea, adotarem a novidade. Há relatos, também, em Copacabana.

A prefeitura, através da Secretaria Municipal de Transportes, explica que o uso da bandeira dois é opcional. “A prefeitura autoriza, mas cabe ao taxista decidir se vai utilizá-la ou não”, informo a instituição.

Quando o barato acaba saindo caro

Com o crescimento do número de clientes e de motoristas do aplicativo Uber, as queixas em relação ao serviço também aumentaram.

A estudante Camila Avesani ficou quase 15 minutos esperando um carro, que solicitou no Ingá. “O motorista ia pro lado contrário, quando desisti ele estava no Barreto. Foi frustrante pagar a taxa de desistência e não conseguir denunciar no app”, diz. Ao solicitar outro carro, ela acabou pegando uma corrida mais cara, com preço dinâmico, que chegou de pronto ao local, diz.

A Uber explica que, ao desistir da corrida é possível relatar o motivo e que a avaliação mútua é a melhor forma de manter a qualidade das viagens.

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