Por adriano.araujo, adriano.araujo

Rio - Indiciado por cinco homicídios, procurado por seis equipes da Delegacia de Homicídios (DH) e com recompensa de R$ 1 mil por informações que levassem à sua prisão, o policial militar reformado Cláudio Luiz Machado Paixão se entregou nesta terça-feira, no final da tarde, acompanhado por dois advogados.

Ele é acusado de atirar contra quatro pessoas — uma delas gestante de oito meses — após uma briga em um bar, na noite de sexta-feira, na favela W3, no Recreio dos Bandeirantes. O bebê chegou a ser retirado com vida da barriga da mãe, Patrícia Pimenta Rosa, mas não resistiu. Morreram também na briga o marido de Patrícia, Lutero Barbosa da Silva, de 36 anos; seu irmão, Francisco Pimenta Rosa, de 25, além de uma vizinha que foi comprar cigarros no bar, identificada como Markeli Maria Leita, de 39 anos.

PM reformado%2C apontado como autor de chacina no Terreirão%2C no Recreio%2C se entregou nesta terça-feiraDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Após realizar os disparos, o policial fugiu do local. Menos de 12 horas depois, a Justiça decretou sua prisão temporária por 30 dias. De acordo com a perícia, todos os tiros foram disparados à queima-roupa. O ferimento de Patrícia, por exemplo, foi na nuca.

O policial chegou na Delegacia de Homicídios acompanhado por dois advogados. Ele apresentava ferimentos em uma das mãos e nos pés. Por causa disso, foi levado para fazer curativos no Hospital Municipal Lourenço Jorge, antes de o interrogatório começar, e chegou à unidade com curativos.

“São cinco assassinatos. Temos muitas dúvidas para tirar, muitos detalhes para esclarecer e consolidar o inquérito. Não há dúvida sobre a autoria”, afirmou a delegada Marcela Ortiz, responsável pelo caso.

A decretação de prisão temporária pode ser prorrogada por mais 30 dias, quando expirar o prazo do primeiro pedido. Até lá, a Delegacia de Homicídios espera consolidar o inquérito para solicitar ao Ministério Público do Rio o pedido de prisão preventiva de Cláudio Luiz.

Nos enterros dos irmãos, na segunda-feira, familiares estavam apreensivos pelo fato de o policial ainda estar solto. “Temos medo que ele volte e mate todos. Ele queria matar a família toda e chegou a nos ameaçar depois. Só de olhar para ele dava medo. É um cara doente, que merece ser preso. Nós queremos Justiça”, afirmou Fernando Pimenta, de 43 anos, tio dos irmãos mortos. O corpo da recém-nascida foi enterrado nesta terça-feira, no Cemitério de Inhaúma.


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