Crivella prevê arrecadação menor e diz que secretários não farão investimentos

Futuro prefeito afirma que prefeitura terá R$ 4 bi a menos em 2017. Intenção é investir mais R$ 250 milhões ao ano em saúde e municipalizar hospitais federais

Por O Dia

Marcelo Crivella conversa com funcionários durante visita ao Hospital Geral de BonsucessoJonathan Ferreira/Agência O Dia

Rio - Em seu último ato como senador da República, o prefeito eleito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), visitou o Hospital Federal de Bonsucesso, na Zona Norte, onde participou de uma solenidade. Por conta de emendas parlamentares de Crivella, a unidade recebeu R$ 4 milhões para investir no setor de emergência, dinheiro que já está na conta do hospital.

Na saída do evento, Crivella comentou algumas medidas que fará na gestão e demonstrou preocupação com orçamento municipal.

Para o primeiro ano como prefeito, o senador afirma que a arrecadação será menor do que a deste ano, com queda de R$ 4 bilhões. Segundo Crivella, o valor arrecadado pelo Rio foi de R$ 29 bilhões em 2016 e será de cerca de R$ 25 bilhões em 2017.

Outra medida que diminuirá o poder de investimento da prefeitura no ano que vem é o aumento dado a algumas categorias de servidores como aos professores e aos garis. De acordo com Crivella, só o reajuste da educação impactará em R$ 1 bilhão no orçamento do ano que vem.

Por conta dessa queda, as palavras de ordem da gestão Crivella serão "austeridade e responsabilidade". O futuro prefeito já ordenou que seus secretários não façam novos investimentos antes de regularizar as contas do Palácio da Cidade.

Hospitais federais podem ser municipalizados

A saúde será tratada como prioridade na gestão de Crivella. O futuro prefeito diz que irá privilegiar as verbas para o setor. "Vamos repor os R$ 250 milhões retirados nos últimos anos", explicou, citando como exemplo algumas obras da atual gestão, como o Museu do Amanhã, a Olimpíada e os túneis. "Os eleitores quando votaram em mim, votaram para eu cuidar das pessoas. Chegou a hora", afirmou Crivella, remetendo ao mote da campanha.

Outra medida diz respeito à municipalização dos hospitais federais. Crivella garantiu estar em contato com o governo federal para tentar administrar as unidades de saúdeda União, mas para isso, diz que exigirá contrapartidas de Brasília. "Os recursos devem ser repassados até o dia 10 de cada mês, reajustados pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) a cada mês e as reivindicações salariais dos funcionários precisam ser atendidas. Eu não posso assumir a administração e ter greve", garantiu Crivella, que afirma que caso as cláusulas não sejam cumpridas, os hospitais seriam devolvidos imediatamente ao governo federal.

"A partir do dia 2", diz sobre reajuste das passagens dos ônibus

Sobre o reajuste da passagens dos ônibus a partir do dia 1º de janeiro , mesmo sem a promessa de Eduardo Paes sobre climatização da frota, Crivella preferiu não comentar. "A partir do dia 2, eu respondo essa pergunta. Ele não me perguntou, eu não vou intervir na administração dele. Seria uma descortesia", afirmou o senador, que almoçará com o atual prefeito nesta quarta.

Reportagem de Jonathan Ferreira

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