Em Mesquita, lixo nas ruas e prefeitura abandonada

Município da Baixada sofre com a falta de coleta e moradores estão intrigados com o desaparecimento do prefeito, que não é visto na cidade desde outubro

Por O Dia

Rio - Mesquita era um luxo. Sob o lema “Cidade Limpa com Educação”, esse município da Baixada Fluminense , distante cerca de 30 quilômetros da capital, era o exemplo de organização. Ruas limpas, praças bem cuidadas, Saúde e Educação funcionando a contento. Um lápis estilizado era o símbolo da cidade e até hoje enfeita os pórticos e áreas públicas. Entretanto, de um dia para o outro, tudo mudou. “A eleição foi no domingo, na segunda-feira nada funcionava mais”, conta, entre uma raquetada e outra nas moscas que infestam sua padaria, o comerciante José Eduardo de Carvalho, de 63 anos dos quais 60 morando no município.

A cidade agora é um lixo. Ruas importantes, como a Avenida Delfina Borges, no bairro da Jacutinga, foram tomadas por montanhas de resíduos orgânicos, móveis velhos e todo tipo de sujeira. Tão misterioso quanto os motivos da degradação de Mesquita, já que o problema aparentemente não é apenas financeiro, é o paradeiro do atual prefeito Rogelson Sanches Fontoura, o Gelsinho Guerreiro (PRB), que não dá as caras na prefeitura desde outubro. A sede da prefeitura, por sinal, parece um prédio evacuado. Ontem à tarde, a equipe de O DIA esteve lá. Entrou, chamou por alguém e ninguém apareceu. A prefeitura estava abandonada.

Os cerca de 2 mil servidores e os funcionários terceirizados estão sem receber os salários há pelo menos três meses. Porém, o que mais transtorna os 170 mil habitantes é a falta de coleta do lixo, que não é realizada com regularidade desde que o prefeito sumiu. “Isso é uma humilhação. A gente paga os impostos em dia. A nossa dignidade e o nosso voto foram parar no lixo”, reclama Carvalho. “Eu votei no Gelsinho justamente porque tinha medo que acontecesse isso”, afirma o pedreiro Fábio Galdino do Nascimento, 36 anos, enquanto mostra a absurda quantidade de lixo depositado na calçada em frente à sua casa. “Não aguento mais tanta mosca, esse fedor horroroso e a falta de uma atitude das autoridades”, protesta.

Na Avenida Delfina Borges%2C uma das principais do bairro Jacutinga%2C pedestres e ônibus precisam se desviar das montanhas de lixoErnesto Carriço/ Agência O Dia

Gelsinho perdeu a eleição para seu principal rival, Jorge Miranda (PSDB), vencedor do pleito. E, segundo o irmão de Miranda, Renato, nem a transição de governo foi feita. “Não sabemos o que está acontecendo. A gente não tem informação de nada. Não conseguimos nem falar com a atual administração. Uns dizem que são dois meses de atraso nos salários, outros dizem que são três. Tivemos que entrar com mandado de segurança no Tribunal de Justiça com pedido de informações, mas nos forneceram dados superficiais. A prefeitura, cujo orçamento de 2016 foi de R$ 322 milhões, é uma caixa preta”, afirma Renato. Preta e suja.

Quatro meses com salários atrasados na ‘Cidade do Trabalho’

Profissionais da Educação de Belford Roxo, que estão há quatro meses com salários atrasados, fizeram manifestação, na manhã de ontem, na porta da casa do prefeito

Adenildo Braulino dos Santos, o Dennis Dauttmam (PC do B). Ele não é mais visto na cidade desde as eleições. Porém, ao saber do protesto, telefonou para os professores reclamando que jogaram lixo na porta da sua casa. O prefeito prometeu pagar hoje os vencimentos do pessoal do magistério. O DIA esteve ontem na sede da prefeitura, procurando por Dauttmam, mas ninguém soube informar o paradeiro do chefe do executivo. “vai lá no quinto andar e fala com a secretária dele, a Fatinha. Ó, mas o elevador está enguiçado”, advertiu a recepcionista.

Além de não honrar o salário de servidores e pagamento dos fornecedores, a prefeitura de Belford Roxo interrompeu serviços básicos. A coleta do lixo, segundo moradores, não é feita com regularidade há mais de mês. E o resultado são ruas fétidas, tomadas por lixo, ratos e moscas. O lema da prefeitura de Belford Roxo é “Cidade de Trabalho”, mas no bairro Nossa Senhora das Graças, um dos mais chiques da cidade, ninguém faz nada para limpar as vias. A coleta não é feita há mais de duas semanas. “Política é assim mesmo. Na hora de pedir os votos, eles prometem o melhor dos mundos. Mas depois, abandonam o povo”, resumiu o aposentado Vítor de Almeida, 68 anos.

TJ manda Caxias pagar a servidores

O desembargador Peterson Barroso Simão, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), determinou que a Prefeitura de Duque de Caxias pague a última parcela do salário de outubro e o salário de novembro dos servidores ativos, aposentados e pensionistas. O prazo para o pagamento é de três dias.

Caso a decisão seja descumprida, será aplicada multa diária de R$ 50 mil ao prefeito, ao vice-prefeito e ao secretário municipal de Fazenda, além da arrecadação dos bens pessoais dos três. As verbas a serem pagas não devem ser retiradas da saúde, educação, segurança e higiene pública

Na decisão, o desembargador considerou que o atraso no pagamento dos salários é desumano e prejudica, não só os servidores, mas toda a sua família. Segundo o desembargador, o pagamento da dívida do município com os servidores, aposentados e pensionistas deve ser emergencial e urgente, já que fere a dignidade humana.

Gonçalenses ‘contratam’ seus lixeiros

No quesito imundície, São Gonçalo, na Região Metropolitana, não fica a dever aos municípios da Baixada Fluminense que suspenderam a coleta de lixo. Com a greve dos garis, que estão sem receber salários, os gonçalenses estão sendo obrigados a contratarem — e pagarem — o serviço por conta própria.

Moradores do bairro Nova Cidade estão pagando R$ 5 ou R$ 10 à garotada para retirar o lixo que está nas ruas. “Tiram de lá e jogam num terreno baldio em Trindade”, contou uma moradora que já desembolsou mais de R$100,00 para manter a porta de casa limpa. Os funcionários de Limpeza Urbana de São Gonçalo não fazem a coleta de lixo e limpeza das ruas desde novembro. Sem receberem o décimo terceiro salário, os servidores municipais realizaram, ontem, protesto na porta da prefeitura. Foi a segunda manifestação em uma semana. No dia 20, eles chegaram a ocupar o gabinete do prefeito Neilton Mulim (PR).

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